20 de Março- José Manuel Anes na Quinta da Regaleira

Foi a 24 de Outubro de 1920 que desapareceu António Augusto Carvalho Monteiro, o construtor da Quinta da Regaleira.

 

António Augusto de Carvalho Monteiro  nascido no Rio de Janeiro em 27 de novembro de 1848,  ficou    conhecido pela alcunha de Monteiro dos Milhões, e foi um homem de cultura, camonista e entomologista, especialmente conhecido por ter sido o responsável pela construção do palácio da Quinta da Regaleira, em Sintra.

Herdeiro de uma grande fortuna, multiplicada no Brasil com o comércio de cafés e pedras preciosas, cedo embarcou para Portugal onde se licenciou em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra em 1871.

Casou-se, em 1873, com Perpétua Augusta Pereira de Melo, e regressou ao Brasil, onde viveu em Petrópolis e no Rio de Janeiro até 1876.Foi um distinto coleccionador e bibliófilo, detentor de uma das mais raras colecções camonianas.

 

Ao  morrer, em 1920, tinha mandado construir o seu túmulo, no Cemitério dos Prazeres (acima) ao mesmo arquitecto que construiu a Quinta da Regaleira, Luigi Manini A porta do jazigo, também ele recheado de simbologia, era aberta com a mesma chave que abria a Quinta da Regaleira e o seu palácio em Lisboa, na Rua do Alecrim.

O jazigo, localizado do lado esquerdo na alameda de quem entra no Cemitério, ocupando uma área com o lugar, o tamanho e a forma do secretário num templo maçónico, referenciando a igreja como oriente, ostenta múltipla e variada simbologia.

A porta tem, gravada na aldraba, uma borboleta da família Sphingidae (esfingídeos) que tem a particularidade de ter um desenho no tórax semelhante a uma caveira.

O gradeamento, que se pode ver nas traseiras do jazigo, ostenta a simbologia do vinho e do pão, o espírito e o corpo. Corujas, símbolo de sabedoria, ornamentam o jazigo, assim como as papoilas-dormideiras que simbolizam a morte.

Para assinalar a efeméride, a Alagamares e a Cultursintra promovem ao longo do ano na Sala Renascença da Quinta da Regaleira um conjunto de 6 conferências onde se dará a conhecer um pouco mais do homem e da obra, numa vertente multifacetada e pluridisciplinar.

A primeira delas terá lugar no dia 20 de março pelas 18h30m, subordinada ao título “A Regaleira e a Maçonaria Templária”, e será proferida pelo Prof. José Manuel Anes.

José Manuel Anes é autor e coautor de cerca de 30 livros e artigos no domínio das espiritualidades e religiosidades alternativas, de entre os quais se referem “Re-criações herméticas I e II” (1996, 1997), ambos na Hugin eds. – e que serão reeditados brevemente na editoria Zéfiro -, “Fernando Pessoa e os Mundos Esotéricos” (3ª. Ed. 2006), “Um outro olhar – a face esotérica da cultura portuguesa (2006), ” “Os jardins iniciáticos da Quinta da Regaleira” (1ª. Ed. 2004, 2ª. Ed. 2006), “Mozart e os mistérios iniciáticos” (2007), “Alquimia, os alquimistas contemporâneos e os novos movimentos religiosos” (2009) – resumo da sua Tese de Doutoramento -, “”Guia simbólico da Quinta da Regaleira” (2010), todos na Ésquilo e na Eranos que lhe sucedeu e ainda “Uma Introdução ao Esoterismo Ocidental (Arranha Céus, 2ª. Edição, 2014) .

 

Share Button