A História dos míticos Diamantes Negros no relato de Caínhas, o seu baterista

Os Diamantes Negros foram uma das bandas mais emblemáticas de Sintra dos anos 60, e ainda hoje atuam, após 56 anos de carreira. Aqui vamos contar a sua história na primeira pessoa, pela pena de Carlos José Paulo Santos, (Caínhas) o baterista e um dos fundadores.

I- COMO SURGIU A IDEIA

Nos  nossos horizontes , meu e do Álvaro José, começou a aparecer a ideia de formar um conjunto, como se dizia na altura. Mas uma viola era um brinquedo caro e o Álvaro não era rico nem de perto nem de longe, no entanto a vontade era muita e como o José Manuel Brandão, nosso amigo de infância, tinha uma viola de caixa que lhe ofereceram e à qual não ligava nada, o Álvaro pediu-lha emprestada e começou a aprender uns tons sozinho, pois escolas ou quem se dedicasse a ensinar havia pouco.Tirando o Malhinhas, velho exímio na guitarra e viola de fado, em Sintra poucos sabiam tocar uma viola na perfeição, se é que na perfeição houvesse alguém.

Mas então o Álvaro José lá ia persistindo na aprendizagem, tendo como companheiro de jornada um moço da Guiné que veio para Sintra viver sob o protectorado do Dr. Jorge de Melo, por ter cometido um acto de bravura e desamor à própria vida para salvar a de outrem.Era um herói, mas para a viola era um nabo, o Álvaro por ali também não se safava.

O conjunto era a obsessão, o Álvaro já sabia fazer a 1ª, 2ª e 3ª de Dó, sabe Deus a que duras penas, e portanto dali até ao tão almejado conjunto era um instante.

Lembrei-me do Xixó, que era meu colega no Externato Académico de Sintra, e das muitas vezes que fora a sua casa, via que tinha piano e que até sabia tocar a “Marcha Turca de Mozart”.Esta ideia veio a tornar-se brilhante pois o Xixó foi a peça fundamental, a sua teimosia, a sua habilidade, a capacidade para lidar com as sete notas fizeram dele o líder e o ponto de referência da banda.

Estavam na moda os Shadows, o filme “Mocidade em Férias” com o Cliff Richard, nós íamos ver aquilo vezes sem conta só para ver os Shadows no final a tocar o “Savage” ao vivo.O filme era um barrete, bastava vê-lo uma vez e chegava, mas os Shadows eram o nosso sonho.

Era necessário mais gente. Quem? Havia um moço, e há, que ainda é vivo, felizmente, que era filho do único homem que tocava bem guitarra de fado, viola, banjo, bandola, cordas era com ele,embora de um modo antigo para o nosso gosto (refiro-me ao pai) o Robustiano Velho. Mas o filho mais velho, o Robustiano (filho) era já mais capacitado que qualquer dos nossos pretendentes a guitarra, e foi durante muito tempo parte integrante do projecto conjunto, para o qual não havia nome.

A primeira sala de ensaio foi a garagem do pai do Xixó. A bateria era uma porta de chapa de zinco duma capoeira de galinhas, o baixo era um cavaquinho preto do Robustiano que era suposto servir para nosso baixista.

Na época o Álvaro José, o Xixó e o Robustiano eram os guitarras, e andávamos à procura de um cantor.Experimentámos o João Reis e o Joaquim “polícia”(entretanto já falecido). Passámos a ir ensaiar para a Sociedade no começo do Inverno de 1963.Chega o princípio de 1964 e o senhor Magalhães, presidente da Sociedade União Sintrense pergunta-nos:

-Então quando é que isso sai?(como se ser músico fosse só chegar ali e ligar o botão, como dizia o António Silva, era uma torneira a deitar música).

-Bem, eu vou já mas é marcar a data da apresentação e pronto, se não vocês não passam disto!-dizia o Magalhães… E resolve marcar para 25 de Janeiro de 1964, um sábado,a apresentação.E marcou-nos também o Carnaval na Sociedade, que era logo a seguir. Estávamos tramados, tínhamos para aí cinco ou seis números mais ou menos alinhavados e aquele tipo colocou-nos entre a espada e a parede.

Foi o que nos fez andar! Abençoado José Magalhães, devemos-lhe muito. Onde estiver, o nosso grande Bem-haja.

Já com aquele compromisso assumido, resolvemos meter um saxofonista, tinha de ser um puto como nós. E onde é que ele estava? A banda de S. Pedro tinha acabado de sair no Verão anterior completamente renovada pelo senhor Batalha, com muita gente nova, e não é para me gabar, sempre tive um certo “faro” para ver e conhecer quais os mais capazes. Sabia de alguns “craques”, mas optei pelo rapaz que me foi substituir na Cooperativa Agrícola de Produção de Leite do Concelho de Sintra, onde trabalhei. Esse rapaz, Carlos Alberto Rodrigues de seu nome e de alcunha “O Sabonete” veio a revelar-se um verdadeiro Diamante, vinha completamente por lapidar, como todos nós.Mas como trabalhávamos muito, ensaiar até à exaustão era a palavra de ordem, quem tinha alguma coisa para dar fazia-se músico.

Entretanto, o Robustiano era um indivíduo sempre desatento e pouco zeloso com os ensaios. Um dia, depois de tanto o avisar para se concentrar e trabalhar, ele começou a tocar um fado que havia na altura nas máquinas de discos (fado-rock), eu passei-me dos carretos, peguei num livro de letras do Xixó, que era o que estava mais à mão, aquilo eram folhas soltas com umas argolas grossas de metal e capas de cartolina, acertei-lhe em cheio na cara, era sangue por todo o lado, lá se foi o Robustiano, acabou ali a sua estadia no “Novel Conjunto Sintrense”. Primeira reacção, parar para pensar. Pensámos: Então e agora? Faltam quinze dias para a apresentação?!

Aí viu-se o que nós éramos na realidade, quatro putos cheios de vontade e muito brio.

O Xixó num dia trouxe e ensaiou-as todas, mais de vinte músicas novas. Dizia ele para o Álvaro José:

-Tu olhas para mim e vês como eu faço!

Ficámos só os quatro, eu Caínhas baterista, Álvaro José viola ritmo, Carlos Rodrigues saxofone e Xixó, a nossa super-estrela, piano, guitarra solo e voz.

Os instrumentos eram do pior que se pode imaginar, mas o nosso sucesso em 25 de Janeiro de 1964 foi tão grande que fez com que o comboio só parasse com a guerra colonial, e algumas asneiras pelo meio, porque nós tínhamos tudo para dar certo.

O nome “Diamantes Negros” como surgiu? Por acaso!

Nós sempre gozávamos uns com os outros sempre que surgia esse tema. Que nome?…

Tínhamos os nossos amigos de sempre que nos acompanhavam desde o primeiro dia e ia parar sempre aos palavrões. Até que alguém disse:- DIAMANTES NEGROS- Aí o nome ficou a pairar, já haveria um conjunto com esse nome, mas nunca se ligou, nem havia certezas e, não havia mesmo. Mais tarde, isso sim, o nosso nome foi usurpado por um grupo de Queluz, mas sem sucesso.

O 25 DE JANEIRO DE 1964

25 de Janeiro de 1964. Apresentação do Novel Conjunto Sintrense Diamantes Negros, era o que dizia o programa da Sociedade nesse dia.

22 horas, pano fechado, grande expectativa, tudo a postos. Eis que surge no palco um jovem de 18 anos completamente fora do estalão português, ou seja, alto, louro e de olhos azuis, se não são azuis peço desculpa, pois na família dele há olhos para todos os gostos, até tem um irmão com um olho azul e outro castanho. O apresentador da noite mágica tem nome, e que nome…Fui buscar um bom amigo de infância, com quem partilhei muitos dias e anos em sua casa, também pela amizade que tinha com os outros irmãos, especialmente o do meio, o Zé.

Inteligente e muito perspicaz, tinha habilidade para tudo que tivesse relação com o desporto, no hóquei em patins esteve entre os melhores. Não frequentava bailes, tão pouco ia à Sociedade União Sintrense. Eu arrisquei nele porque o conhecia bem, pela sua inteligência, o saber dizer, a presença e apresentação. Tinha de dar certo, o meu escolhido tal como nós também ia debutar.

E foi logo aí que começámos a ganhar. O Carlos José da Conceição Nascimento (Carlos Nascimento) pois é dele que falo, foi um sucesso, apresentou-nos como um profissional experiente, eventualmente tremendo por dentro como amador que era, mas nada transpareceu.

Feita a apresentação, surge a primeira música- Round and Round- às 22 horas, mais coisa menos coisa, o velho pano de boca de cena, verde pela frente e vermelho para o palco, abriu-se, apareceram quatro jovens, nervosos mas decididos, a tocar uma música dos Shadows, sem viola baixo. Foi o delírio. Só posso falar por mim, deu-me uma dor tão forte no peito que acho que só tive igual agora depois de usado e por isso só parou no hospital Amadora-Sintra com oito dias de “estágio” à mistura.

Mas as palmas foram tantas que daí até às cinco da manhã, cada música, cada êxito, palmas e mais palmas.

Ainda me lembro de alguns números que interpretámos com sucesso: vários dos Shadows, o tema de abertura que já referi e que passou a ser durante muito tempo, Peace Pipe, e mais alguns. O Xixó tocou piano com estrondo no Quando calienta el sol , e cantou em espanhol, o que para ele, todo virado para o inglês, era assim o mesmo que lhe arrancar os dentes todos. Mas nós queríamos ser e éramos abrangentes, tínhamos música inglesa (era a base) francesa, italiana, e no dia da apresentação, meus senhores, eu cantei!. Não que eu não saiba cantar, mas a minha voz nunca me ajudou muito. E cantei uma canção do Marino Marini, com o Xixó ao piano, o Álvaro José na guitarra, o Carlinhos Rodrigues no sax e eu à bateria e voz o Perdoname.

O nosso instrumental:

Aparelhagem de vozes, o que era isso? Tínhamos para a apresentação coisas muito rudimentares. Quem estava melhor equipado, embora mal e por pouco tempo, era o Xixó. Ele tinha uma viola nova, Egmond, era a marca e custou três contos, uma fortuna para a época; o Álvaro José tinha uma Tulip comprada em segunda mão; eu tinha uma bateria velha que fui desencantar numa casa de penhores e que, se virem bem a foto da época, concluem que era impossível tocar alguma coisa naquele instrumento, mas deu para a festa de apresentação.

Aí ganhámos bom dinheiro, e apetrechá-mo-nos dentro das nossas posses. Sempre nos preocupámos em comprar bom equipamento, em detrimento de levar dinheiro para casa.

Éramos mesmo amantes da música, fazíamos tudo com muito amor, até as discussões permanentes, Xixó/Luís, Caínhas/Luís, Caínhas/Xixó/Luís, o Luís, como vêm…

Temos vários episódios giros, mas ainda sobre equipamento, posso acrescentar que a aparelhagem da guitarra de acompanhamento do Álvaro José era uma telefonia que o senhor Cochicho tirou de sua casa e, a ligação para o pick up era feita com duas bananas. E aquilo dava som? Quase nada, mas naquele tempo davam-se bailes no Parque da Vila para mil pessoas ou mais, sem aparelhagem e com o Avelino Gil a cantar, ou com uma aparelhagem de 15 watts. É que o pessoal era pacato.

Os nossos electrónicos

Tínhamos sempre atrás de nós muita malta nova, mas havia três que eram parte integrante da equipa e só não iam connosco por motivo de força maior.

Constituição da equipa: António Luís Ribeiro Baleia, Carlos Manuel Heitor Correia, Afonso “Cochicho”… deste não sei o nome todo. – Desculpa lá ó Cochicho, se te perguntar tu também não sabes o meu, eu não fico chateado e tu também não.

O Baleia, o Heitor e o Cochicho eram inseparáveis. Dentro do conjunto punham e dispunham no departamento deles, que era tudo o que se relacionasse com a técnica de electrónica, logística, cargas e descargas. O Baleia, qual professor Pardal, engendrou uma oficina lá num recanto da Sociedade, onde tinha todos os apetrechos para reparar fios e não só. Era um técnico de mão cheia.

Quanto ao Carlos Heitor, eram célebres os seus momentos de boa disposição, de repente num ensaio lá aparecia o Heitor mascarado e punha tudo bem disposto. Das suas anedotas e da sua graça espontânea… que saudades!

O Cochicho era o mais novinho. Era assim tipo de ama seca do Xixó , aparava-lhe os golpes. Era mais para pegar no pesado. Era o tal que no início trazia a telefonia para fazer de aparelhagem. Todos eles, quando tocava a montar equipamento, alinhavam bem.

Os nossos aniversários

Quando fizemos um ano foi uma festa de arromba, tivemos um banquete servido no gabinete da Direcção da S.U.S., espectacular! Daí em diante foi sempre assim. Todos os anos o conjunto festejava o aniversário.

Porquê falar disto? Seria uma grande falha não falar na Comissão de Senhoras que se esmerava em apresentar um beberete feito à custa da mobilização de quase todas as senhoras e do comércio da Vila Velha, que por ordem da D. Martinha Correia (mãe do Heitor) e da D. Mariana Gaspar, mais tarde também da D. Esmeralda (de Monte Santos) tudo fizeram para que os nossos aniversários fossem uma festa.

O Fim

Quando cheguei de Angola o meu conjunto era um cadáver. Tentámos reabilitar o nome dos Diamantes Negros , eu o Luís Manuel, o Jaime Pereira e o Dias, respectivamente baixo e teclas, meus colegas da Força Aérea e músicos também comigo no Negage, onde fizemos as nossas guerras com as notas de música, no conjunto da Base (os génios do AB-3) que muitas vezes nos aliviou do pior. Desta vez tivemos pouco sucesso porque em Angola nós tínhamos um elemento que estava para a viola como o Figo está para o futebol e ele era a alma do conjunto.

Sem ele, o Carlos Velez, eu o Jaime e o Dias não éramos os mesmos e o Luís não era o tal Figo…

Os Diamantes são eternos, como no filme do James Bond.

Em finais de 1974 nova tentativa de reanimação do grupo, desta vez com uma formação que tinha como meta ambiciosa, imaginem só, musica tipo conjunto Chicago. E tocámo-la bem pois tínhamos excelentes músicos: O Álvaro Cruz, saxofonista alto e tenor, era um músico duma afinação singular mas pouco dado a improvisos; O José Freitas, trompetista do melhor que havia na Banda do Exército, em saber, técnica e rigor; O Augusto, um jovem de 21 ou 22 anos, do Sabugo, trompista na Banda da G.N.R. mas com estudo em piano, no conjunto era o teclista; O Carvalho era também um jovem, professor de formação musical que lia e escrevia música como se de uma carta se tratasse, era o nosso guitarrista que depressa nos deixou, por causa da sua vida profissional, para integrar o Coro Gulbenkian; Este foi substituído pelo Reinaldo, estudante a concluir Arquitectura, também jovem e talentoso na guitarra e na voz; Para quase todos estes craques os papéis de música eram rebuçados, orelhudos eram, o Jaime Pereira, baixista e eu, Caínhas, o baterista histórico dos Diamantes Negros.

Diamantes Negros-Anos Setenta

José Freitas – trompete, Álvaro Cruz – sax alto e tenor, Caínhas – bateria, Reinaldo Nunes – guitarra e voz, Jaime Pereira – baixo e voz, Augusto – teclas

Tudo isto contado assim não parece nada, mas a pretensão de fazer música “com cagança” estava lá. Queríamos manter viva a chama com a mesma força dos bons tempos. Tínhamos comprado bom equipamento de um conjunto que tinha acabado. Os compromissos eram muitos e o trabalho era pouco, o mercado estava difícil, eu e o Álvaro tínhamos assinado letras e estávamos apertados, até que o Xico Caeiro, dono do Café Angra da Praia Grande, veio ter com o Álvaro para saber se nós queríamos ficar com a carteira de clientes dele, que era gorda, a troco dos nossos elementos todos com o Xico a cantar. Fez-se uma reunião na Sociedade, houve elementos que não queriam aquele modelo e logo ali se desfez o sonho de tocar boa musica, trocada pelas notas do banco de Portugal, que tanta falta faziam para pagar as letras já aceites. Acabámos no inicio de 1976.

Ultimamente o Luís tem mantido acesa a chama dos Diamantes Negros com elementos os mais diversos, uns originais, outros ex-pertencentes e outros ainda que têm colaborado em exibições no âmbito da Associação Anos 60, culminando em Março deste ano de 2003, no Auditório Olga Cadaval, que para os jovens da minha idade será sempre o ex-Cine – Teatro Carlos Manuel, onde tivemos uma actuação brilhante, e vão por mim que percebo disto, com uma formação de bateria e três guitarras: Na guitarra solo e voz o Xixó; Na guitarra ritmo e voz o Luís Manuel; No baixo e voz o Jaime e na bateria eu, o Caínhas. Tocámos música dos Beatles e, no meio de tantas celebridades que desfilaram nesta “Viagem aos Anos 60″, fechámos a primeira parte do programa, acompanhados por alguns elementos da banda da Sociedade União Sintrense que saíram pela coxia central tocando connosco o “Yellow Submarine”, levando ao topo e uma vez mais o nome de Sintra.

Já chega… apenas tentei sintetizar a vida dos Diamantes Negros. Tanto que havia para dizer e ficar perpetuado, mas fico por aqui que a história já vai longa… Agora, preparamo-nos para continuar a festejar os nossos aniversários enquanto pudermos!

Sobre as várias formações dos Diamantes Negros

Durante toda a existência do conjunto, como já referi, houve várias formações umas melhores do que outras mas, salvo episódios em que alguns elementos estiveram menos bem, nos 40 Anos depois da fundação do grupo, esses episódios já foram esquecidos.

A formação inicial, todos sabem, era 4 elementos, 3 Carlos e um Álvaro. Quando chegava o Verão e os meninos iam a banhos para o Algarve: Miúdas, brutas bebedeiras e«“cachets” em que ainda tinham saldo deficitário. Eu era trabalhador músico, não tinha férias no Verão porque o meu chefe nunca me dava esse direito pois ele gozava as férias às terças, quintas e sábados (nesse tempo trabalhava-se ao sábado), trabalhava às segundas, quartas e sextas (havia de ser hoje…). Acrescentando a isto que os meus pais, pessoas de idade, punham-me todos os entraves para eu ir para tão longe de casa. Mas o problema nem se discutia porque o emprego era o obstáculo principal. Então o meu lugar foi pela primeira vez ocupado pelo Mário Jorge (Marinho) e assim continuou nos meus impedimentos até que chegou a hora da mobilização e, como já referi, entraram dois elementos. Mas antes houve a saída do Henrique, ainda uns dois ou três meses antes de mim e como os Guitarras de Fogo tinham acabado entra o Tó Gândara para o seu lugar, por pouco tempo, pois também estava na tropa e nada ou quase nada o ligava ao nosso grupo, fez no máximo duas actuações connosco.

Entretanto os “Azthecas” acabaram e fomos buscar o Camena, um óptimo elemento que tocava e cantava bem (era o solista dos Azthecas). Muito actualizado deixava o Xixó livre para as teclas que já se adivinhavam. Eu não cheguei a ser colega dele, a não ser esporadicamente. O Camena já fez parte da formação com o Charly, Martins, Xixó e Luís. Esta formação teve óptimas prestações e culmina com o segundo lugar no Concurso do Cinema Império, à frente dos “Charruas” e atrás dos “Espaciais” do Porto, que na altura usaram o pseudónimo “Psico”. Como o Camena já disse: Eram tão bons e subiram tão alto que caíram e nunca mais se levantaram. É uma opinião válida, mas os tempos eram muito difíceis e a tropa acabou com dezenas de boas bandas, nós não podíamos ser excepção.

Os Diamantes primeira fase acabaram em 1970, as tentativas de reactivação estão já descritas e citados os nomes de todos os elementos.

Já chega… apenas tentei sintetizar a vida dos Diamantes Negros. Tanto que havia para dizer e ficar perpetuado, mas fico por aqui que a história já vai longa… Agora.

Share Button

1 thought on “A História dos míticos Diamantes Negros no relato de Caínhas, o seu baterista”

  1. Pingback: Cronologia de Sintra 1961-1974 – Alagamares

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado.

Scroll to Top