Assim foi o jantar da Alagamares-Fotos

Com mais de 120 participantes, a música de Javier Álcantara, Débora Rodrigues, Maria Anadon e David Zaccaria decorreu no Salão de Galamares o jantar anual da Alagamares, durante o qual foi prestada homenagem ao escritor Luís Filipe Sarmento pelos 40 anos da sua vida literária, a cabo de outro escritor sintrense, João Rodil.

Algumas fotos do evento de 19 de Dezembro, da autoria de Cristina Vieira:

1936740_10206588445728171_7906367835356696122_n

942807_10206588455328411_1236452306871284449_n

10152639_10206588462888600_4471160952604049061_n

1919396_902502706452879_3098782130545009503_n

12391010_10206588461328561_4837814651430371894_n

734761_10206588467288710_8111063985975244541_n

10303875_10206588459208508_8074673066664699859_n

12391264_10206588447528216_6965619924093262369_n

12376077_10206588451368312_3464997748722233532_n

12360397_10206588450328286_8959233165358794993_n

10300026_454253678091140_8256183228086168241_n

12366336_454253681424473_7845795068950441263_n

1467235_10206588457448464_6376159937471124825_n

1935472_10206588458688495_7553605975812289734_n

10401034_10206588469408763_8759530128850033500_n

12373343_10206588447608218_5052051902862428136_n

12360177_10206588451488315_4545800305976591616_n

12373412_10206588470088780_2593768095832579448_n

10356725_10206588456528441_4711741574113625499_n

12390998_10206588461208558_2959336692830715301_n

12400742_10206588451288310_5988552476965466681_n

12391192_10206588453168357_6618098734561728442_n

12366209_10206588445768172_4405388175500362271_n

índice-001

2015 foi mais um ano de solidificação da Alagamares, durante o qual celebrámos 10 anos dum percurso independente e empenhado. Independente dos partidos mas não das políticas, e sem submissão a lógicas paroquiais, sem prejuízo das convicções e opiniões públicas e privadas dos seus membros individualmente. Empenhado na defesa do património, na valorização dos criadores e criativos de Sintra, na dinamização da sociedade civil pelo desassossego mental e sobressalto cívico que muitos propalam mas pouco praticam.
Vivemos dias perigosos. Perigosos pelo triunfo do financeiro sobre o ético e das meias palavras sobre as ideias. Perigosos pela desvalorização da massa crítica e dos agentes de mudança em prol das redes sociais massificantes e do pensamento único higienizado.
Em 2015 celebrámos 20 anos de Património Mundial, e se muito foi feito nestes anos, (e ainda recentemente, a criação do Gabinete do Património Mundial e o centro UNESCO), continua de pé a resolução dos problemas da mobilidade e estacionamento, a política de preços para as visitas, e a definição sobre o modelo de turismo pretendido, na atávica pulsão entre o excursionismo de massas e um turismo selectivo e restritivo.
Em 2015 vimos perigar os direitos do Homem, nas ruas de Paris, nas chicotadas a Raif Badawi ou nas acusações a Luaty Beirão. Mas também de Paris vieram sinais de esperança no fim do ano, com ténues promessas de arrefecer o planeta e o conforto da encíclica verde do Papa.
Em 2015 continuámos a divulgar novos valores da música, e da literatura, das artes e da ciência, continuou a palavra plural do Sintra Deambulada, debateu-se o património, o Islão e o choque com um mundo insurrecto e disruptivo. Mas Palmira foi destruída, a Síria devastada deixando milhões em fuga, e partiram alguns dos nossos melhores, de Manoel de Oliveira a Herberto Hélder, de Mariano Gago a B.B.King, de Ana Hatherly a José Fonseca e Costa ou Francisco Castro Rodrigues.
Em 2015 passaram 600 da conquista de Ceuta e da morte de D. Filipa de Lencastre, 500 da morte de Afonso de Albuquerque, 100 anos da edição do primeiro numero do Orpheu e o centenário da morte de Ramalho Ortigão, e em Sintra os 90 anos da criação da freguesia de Queluz, os 80 da morte de mestre Artur Anjos Teixeira, os 70 da construção do Cine-Teatro Carlos Manuel, os 60 da inauguração do Hotel de Seteais, os 40 da inumação de Ferreira de Castro na Serra de Sintra e, sobretudo, os 20 anos da elevação de Sintra a Património da Humanidade, número redondo que impõe festa e regozijo, mas também responsabilidade, segurança na acção e firmeza no caminho a prosseguir.
Permanecem, é certo, nesse domínio, diversas áreas para melhorar. A gestão dos parques e jardins requer o apoio de escolas de conservação especializadas similares às que já existem para o património edificado, com trabalho de investigação. Houve porém uma mudança de paradigma com a filosofia de “abrir para obras” acompanhando as recuperações em curso, atitude internacionalmente aconselhada, já se tendo verificado no caso do Chalé da Condessa e no castelo dos Mouros.
Aproveitámos este jantar para prestar tributo a uma figura da nossa vida cultural que há muito reside entre nós e este ano celebra 40 anos de vida literária: Luís Filipe Sarmento.
Cidadão do mundo, e frequente retirante em Sintra, Luís Filipe Sarmento é um escritor do Prazer e por prazer, espelhando os nossos dias sem umbiguismo mas onde o Espelho está sub-repticiamente presente, construtor de avatares da alma onde diletante joga com a arte, a liberdade e o prazer, num desfiladeiro de incertezas, original arquitecto duma peculiar gramática dos sentidos. Obrigado, Luís, pela patrulha de almas aflitas que vens perseguindo nos últimos 40 anos, muitos deles puxando pela jangada de pedra que une a velha Ibéria ao novo Mundo de velhos irmãos, chorando ao som dum suave português ou dum tonitruante castelhano.
2016 aí está, desafiador e renovado, e a Alagamares também, não só pela renovação de parte dos seus órgãos sociais, a partir de Janeiro, como pela permanente inquietação que a falta de acomodamento a estados comatosos suscita, seja na consciência individual de cada um, seja na tomada de posição conjunta por valores e práticas a que ser membro da Pólis nos obriga. Estaremos na rua ou nas tertúlias, no espaço virtual e na multimédia, chamando à participação pluridisciplinar e intergeracional as figuras com iniciativa, ideias e conhecimentos, eruditas ou populares, que possam enriquecer e fazer diferente, razoavelmente exigindo o impossível.
Disse um dia Nelson Mandela: “Não existe nenhum passeio fácil para a liberdade em lado nenhum, e muitos de nós teremos que atravessar o vale da sombra da morte vezes sem conta até que consigamos atingir o cume da montanha dos nossos desejos.”. No silêncio das nossas consciências, na ponta das nossas canetas ou no grito das nossas aspirações, sejamos dinâmicos em nossa casa e na nossa comunidade, acordados que não parados, activos que não passivos, conscientes que não pacientes, pela claridade que faz o Dia e não pela espuma dos dias.

Share Button