Cronologia de Sintra- A I República (1911-1926)

1911


Janeiro
30-Os três Lourenços, como eram conhecidos estes 3 meliantes, fogem da prisão, serrando as grades da janela.
O Chalé da Condessa é moradia de Verão da Condessa Elise
Construção do Edifício dos Correios, segundo projecto do arquitecto A. Marques da Silva, na qualidade de arquitecto do Ministério do Fomento, no local da antiga cadeia, permanecendo apenas a Torre do Relógio.

Passagem de nível, Queluz


Construção do Jardim das Quimeras da Quinta da Regaleira, Giuseppe Gualfi modela a custódia da capela, desenhada por Manini e inspirada na Custódia de Belém, de Gil Vicente.
Em 1911 Sintra tem 30373 habitantes
Constituída a Sociedade Cooperativa Operária de Exploração de Pedreiras e Manufacturas de Cantarias
29- Operários e comerciantes, com a Banda do 1º de Dezembro à cabeça, manifestam-se pelo descanso ao domingo


Fevereiro

10-O Batalhão de Cintra realiza exercícios frente ao Palácio da Vila. Passou a chamar-se Grupo Civil nº 20 A República 2 de Fevereiro, em homenagem à participação portuguesa na Batalha de Marracuene, em Moçambique

22-O presidente Fernando Formigal de Morais pede a demissão, gesto seguido por toda a vereação, por desentendimentos com o Governo.

23-Invasão de uma praga de abelhas africanas
A vida cultural funciona em torno do teatro Garrett (no local onde hoje funciona a Sociedade União Sintrense) ou do Casino Cintrense.

 


Março

1-Depois de um pedido de desculpas e o reforço da confiança por parte do Governador Civil do Distrito de Lisboa, Formigal de Morais e os demais voltam a exercer os seus cargos, com excepção do vogal Manuel Ramos Ferreira de Carvalho, que insiste na demissão.
23-Invasão de uma praga de abelhas africanas.
Incêndio no Palácio dos Plátanos.

Fonte da Carranca, Queluz

Encerrada a escola primária da Penha Longa, após visita de Afonso Costa


Abril
6-Entra em vigor em Sintra e em todo o País o descanso semanal de domingo.
20- O ministro do Fomento, Brito Camacho, visita Sintra
23-O governador civil de Lisboa, Eusébio Leão, visita Sintra, onde é recebido em apoteose.
28-Os lagos da Pena são povoados com cerca de mil peixes.

Guardas do Palácio da Pena
Maio

1-A Associação de Classe dos Trabalhadores do Concelho de Cintra comemora o 1º de Maio com uma merenda democrática em Seteais.
3-Barros Queirós homenageado no Hotel Netto.
Nas eleições para a Constituinte, Sintra integra-se no círculo 37 (Torres Vedras) sendo eleitos Tomé Barros Queirós, José Cardoso Júnior, Thiago Moreira Sales e António Macieira.

Junho
19-Estreia da Banda da escola do Morais
24-Após a aprovação da nova Constituição, o jornal sintrense O Concelho de Sintra escreve:
Foi uma verdadeira data patriótica em Sintra ,como em todo o Portugal, o dia 19 do corrente, em que os constituintes aclamaram por unanimidade de votos a República Portuguesa(…)Os operários abandonaram os trabalhos, os trabalhadores dos campos paralisaram as suas lides(…)Em todo o concelho se queimaram foguetes e se levantaram vivas à Pátria e à República

27- Em primeira deliberação, a edilidade escolhe o dia 15 de Agosto como feriado municipal


Por essa altura, grupos civis vigiam conspiradores afectos à monarquia, entre os quais se conta o visconde de Pernes, alvo de vigilância activa.


Julho

6-O Grémio Lusitano organiza uma manifestação patriótica a favor da República em Sintra
18-A Câmara repensa, e escolhe o dia 29 de Agosto, data da morte de Latino Coelho, como dia do município

Assim: «attendendo a que passa no dia vinte e nove de agosto o anniversario do fallecimento n’esta villa do illustre sabio e democrata Jose Maria Latino Coelho, que foi honra e lustre da Patria Portugueza, e que a população de Cintra pensa em commemorar essa data fazendo collocar uma lapide no predio onde falleceu o egrejio cidadão, e onde por bastantes annos residiu; tendo em consideração o quanto é justa e devida essa commemoração consagrando um portuguez illustre, que se honrou a patria, d’essa honra largamente partilhou Cintra, que elle escolhia para sua residencia de verão, passando aqui grande parte do anno, em epocas consecutivas; foi por unanimidade deliberado que em homenagem à memoria de um dos primeiros chefes do partido republicano portuguez, cerebro previlegiado que se distinguiu em todos os ramos do saber humano, espirito imaculado que logrou exemplos de salutar civismo, o dia destinado a feriado geral n’este concelho de Cintra, seja o de vinte e nove de agosto de cada anno


22-Homenagem ao escritor Latino Coelho, sendo nesse dia colocada uma lápide na casa onde faleceu, na Vila, tendo nessa manifestação participado o Dr. Bernardino Machado (foto)

O Batalhão de Cintra desfilou também na homenagem que a edilidade promoveu a Latino Coelho

Agosto
Festas em Sintra, com grande participação popular
Relata-se que em 1910 17.491 pessoas visitaram o Palácio da Pena

Setembro

O jornal “O Concelho de Cintra” nº41, de Setembro de 1911, noticia o programa de comemorações do 1º aniversário da implantação da República no Concelho de Sintra

”  Anniversario da Republica Em todo o concelho de Cintra se realizam hoje e amanhã manifestações de regosijo solemnizando o 1º Anniversário da proclamação da Republica Portugueza. Por noticias recebidas n’esta redacção sabemos, que em Rio de Mouro, haverão grandes festejos. Em Cintra e S.Pedro as musicas percorrerão as ruas ao romper da manhã. Em Collares e Almoçageme de egual fórma haverão festejos. Por ordem do Almoxarife da Pena, serão dadas por artilharia no Castello dos Mouros, uma salva de 21 tiros, ás 6 horas da manhã d’hoje. Em Bellas, Montelavar e Lameiros tambem se realisam manifestações populosas saudando a Republica.”


Outubro
5-A praia das Maçãs é considerada a melhor praia do País.


Novembro
7-Nasce o Sport União Sintrense.

São contraditórias e muito discutidas as datas da fundação do Sport União Sintrense mas certo é que dia 7 de Outubro de 1911 conforme dizem os estatutos, é a data do seu nascimento.

Quanto à ideia de se criar um clube de Futebol em Sintra também não é consensual entre todos a iniciativa. Vejamos. Nas primeiras décadas do Séc. XX como sabem Portugal era uns pais empobrecido à beira da revolução, e é precisamente nessa época que o desporto começa pouco a pouco a dar os seus primeiros passos. As primeiras bolas de futebol ao que parece terão chegado a Portugal através de Guilherme Basto vindas de Inglaterra e também por sua iniciativa, tiveram lugar em Cascais e Lisboa entre 1888 e 1889, os primeiros contactos com a modalidade. Depressa se espalhou por entre todos esta nova modalidade que rapidamente ia conquistando praticantes de todas as idades e classes sociais.

O primeiro Clube que se conhece é o Lisbonense mas rapidamente foram construídos outros clubes como o Real Ginásio Club e a Casa Pia de Lisboa que deram um impulso gigante ao futebol. Em Sintra mais propriamente na Estefânia o primeiro Clube a dar esses paços foi o Grupo Sport União Sintrense devido a seis entusiastas da modalidade, todos jovens que frequentavam a Escola Primária José Domingos Morais, no Bairro da Estefânia, que tiveram a ideia de criar um grupo futebolístico. Foram eles Jorge Gomes, Alfredo Duarte, Salvador de Almeida, Augusto Reis, João Veludo e Fernando Mata. Entre todos concordaram por unanimidade que fosse Augusto Reis o primeiro presidente do Sintrense.

O Sport União Sintrense na sua história oficial conta-nos que “Os primeiros contactos com o futebol em Sintra provavelmente dão-se através de um grupo de operários Lisboetas que vieram para Sintra para se ocuparem das obras de restauro do Palácio Real desta Vila em 1908. Nas suas horas de lazer, alguns destes operários entretinham-se a jogar à bola no terreiro fronteiro ao Palácio, o que concitou desde logo a admiração e o entusiasmo de alguns jovens Sintrenses que se trataram de os imitar, o que os levou a persistirem e começarem por sua vez a aprender os primeiros passos sobre este aliciante jogo. Os primeiros jogos começaram no Bairro da Estefânia, nos terrenos onde existia uma velha Praça de Touros, e que hoje são ocupados pelo Mercado Municipal. Os tais rapazes que frequentavam a Escola Primária volveram todas as suas atenções para os mais velhos que se exibiam diariamente com uma bola muito artesanal, mas que era para eles um autêntico fascínio. Mais firmes nas suas convicções e dispondo de mais tempo e maior espírito organizador, fundam a clube a que deram o nome de Sport União Sintrense, conseguindo apesar de a sua juventude ganhar com os anos, um grande espírito de grupo, que constituiu o primeiro triunfo para a consolidação da sua iniciativa”.

Durante este tempo a prática desportiva era suportada pelos próprios atletas, as chuteiras eram um luxo que nem todos podiam suportar e muitas vezes joga-se de botas de uso quotidiano. Para contornar esta situação recorria-se a subscrições sendo esta a única alternativa para a compra de material necessário.

À medida que que a estrutura do Clube se consolidava em Sintra iam aparecendo outros clubes na Estefânia na primeira década do Séc. XX nomeadamente os extintos- Morais Foot-Ball Club, Académico Foot-Ball Club e o New Cruzanders Infantis Sintrenses que acabariam por se fundir ao Sport União Sintrense. Nos Anos 20 o Sintrense obtém o seu primeiro título ao disputar o Torneio de Futebol de Sintra ficando conhecido como o campeão de Sintra, logo se estabeleceu uma forte rivalidade bairrista entre a Estefânia, São Pedro e a Vila. São renhidos e entusiásticos os embates que se travam no largo fronteiro do Palácio dos Seteais, que o saudoso Conde de Sucena, proprietário do dito Palácio disponibilizou para que os clubes da vila de Sintra ali jogassem. É o chamado período do futebol “de balizas às costas”, dado que os jogadores percorriam as ruas de Sintra, equipados e levavam consigo as balizas, arrastando consigo os adeptos que se divertiam e se de gladiavam por vezes em apupos e pancadaria na defesa das cores das suas equipas.Em 1930 o Sport União Sintrense não tinha estatutos nem filiação associativa e não tinha consentimento legal para a prática desportiva. Pelas mãos de Veloso Lima, Humberto Costa, Manuel Macedo e Elísio Duarte sofre uma remodelação total a nível organizativo, criando-se os primeiros estatutos, os corpos gerentes, obtém-se a autorização do governo Civil de Lisboa e em 1930 o club filia-se na Associação de Futebol de Lisboa com o nº 269. Foi nesta data que se modificaram as cores do equipamento que era camisola vermelha e calção branco para camisola vermelha com calção azul. Modificou-se também o emblema do Clube, adquiriu-se a primeira bandeira e elevou-se o grupo á categoria de Clube. Foi nesta altura na tarde gloriosa do dia 5 de Outubro de 1930ª que jogou com a 1ª categoria do Sport Lisboa e Benfica encontro que celebraria a inauguração do campo da Portela de Sintra.

Gregório Casimiro Ribeiro (foto abaixo) associa-se a José Ambrósio, enteado de Josefa Neves da família “Sapa”, para fabricar as queijadas que eram vendidas no “Café Pérola de Sintra”, de João Cunha, onde, segundo José Alfredo Azevedo, mais tarde foi a sede do Hockey Club de Sintra.

Dezembro
1-Suicida-se na Penha Longa Estevam dos Santos, que trabalhava no Chalet Biester.


Por essa altura, está em construção o edifício dos correios no edifício da antiga prisão, na Vila, segundo projecto do arquitecto A. Marques da Silva, na qualidade de arquitecto do Ministério do Fomento, no local da antiga cadeia, permanecendo apenas a Torre do Relógio.


Construção do Jardim das Quimeras da Quinta da Regaleira, Giuseppe Gualfi modela a custódia da capela, desenhada por Manini e inspirada na Custódia de Belém, de Gil Vicente.

21-Fundado um Centro Republicano em S. Pedro, com o nome de Hygino de Sousa, acto a que assiste o governador civil de Lisboa, Eusébio Leão, e o presidente do ministério, Augusto de Vasconcelos

23- Entra em funcionamento o posto da GNR no Paço da Vila

Dois filmes com Sintra como tema: Excursão dos Congressistas de Turismo a Sintra e Cascais (Lusa Film) e Grupo de Baterias a Cavalo de Queluz em 1911 (Lusa Film)


1912

O período da I República em Sintra segue as passadas do resto do país. São 16 anos marcados pelo domínio do Partido Democrático – PRP- aqui e ali desafiados pela conservadora Lista Regional, nas freguesias rurais, que chega a ganhar as eleições em 1922.
O primeiro presidente da Câmara depois de 5 de Outubro é Fernando Formigal de Morais(foto abaixo), filho do fundador da Escola do Morais, Domingos José Morais,e é afecto ao Partido Democrático.

O vinho de Colares obtêm exportações na ordem dos 11375 hectolitros
Início da construção da Casa do Cipreste, destinada a habitação sazonal do próprio Raul Lino em terrenos de uma antiga pedreira cedidos por seu pai.

O Conde da Azambuja requer e obtém o cancelamento da penhora feita em favor de José Daniel da Silva Tavares do Palácio de Seteais.
Mário Beirão escreve a sua obra “Sintra”


Janeiro
1-Fundada a Sociedade Filarmónica Instrução e Recreio Familiar das Lameiras
20- Augusto Barreto assume a direcção de “O Concelho de Sintra” , substituindo António Cunha

O Conde de Almeida Araújo, já com 91 anos, oferece à Câmara o terreno para o parque com o seu nome, em Queluz,

Fevereiro

6-A Câmara Municipal delibera por unanimidade que se peça ao Ministro do Fomento para sem demora mandar proceder à demolição dos anexos do antigo Paço de Cintra, que “nenhuma utilidade tem”

18- Festas de Carnaval no Casino Cintrense


Março
30-Início do calcetamento da Volta do Duche.
Abril- Visita Sintra o escritor nicaraguense Rúben Dário

Em Abril de 1912, viajando com o escritor argentino Alfredo Guido, Darío esteve em Lisboa, daqui enviando crónicas para o jornal de Buenos Aires La Nacíon, e nesse jornal sai a 21 de Junho de 1912 a sua crónica sobre Sintra, que embora em castelhano, aqui se transcreve, registando as impressões de mais um ilustre viajante, menos de dois anos após a proclamação da República Portuguesa:

O carro sai de Lisboa a uma velocidade vertiginosa, com a minha admoestação ao chauffeur. O meu companheiro Alfredo Guido, que é automobilista, afirma-me que tudo vai perfeitamente. Assim, a passo diabólico, logo deixamos atrás a “coisa boa”, povoados e aldeias, pela estrada que conduz a Sintra, lugar de veraneio dos reis e das famílias aristocráticas do hoje “escangalhado” Reino. A estrada é ondulada, e vamos subindo. Logo se divisam fantásticas construções, no alto da serra, sobre amontoados de pedras, que poderiam ser da pedreira de mitológicos gigantes. Uma é um castelo em ruínas, cinzento, fantástico, o outro é o castelo da Pena, mansão de conto azul, de conto de “mil e uma noites”, com a sua torre esbelta e ligeira, suas cúpulas douradas, seu aspecto ilusório. Lá haveremos de chegar. Entretanto, vemos dum lado do caminho, entre a verdura fresca de uma vegetação profunda, villas, chalets, casas pitorescas. Um palácio surge, gracioso, aéreo, todo branco da espessura das árvores, dizem-me que pertence ao sr. Silveira, chamado pelas suas vistosas rendas “Silveira dos Milhões”. Passamos pelo pequeno povoado de Sintra e subimos por fim à moradia que foi real. Se o aspecto exterior é admirável e temeroso, quando se vê como construíram tal edifício à beira de enormes precipícios num país onde não foram raras as ocorrências sísmicas, o interior é desolador. Há o que se poderia chamar os despojos duma régia escassez. Alguns velhos móveis, precárias porcelanas, tristes antiguidades sem grandeza. E se vê como deve ter passado tristes e aborrecidas horas o jovem monarca nos últimos verões, antes que soprasse a revolução e seus ventos fortes.

O castelo parece algo vazio e abandonado, junto à entrada conventual circula um ou outro guarda da República, e sai-se dali como de um lugar de desolação”

Maio
1-Nasce a Tuna Operária de Sintra, fundada por Alfredo Januário Gomes, José Parracho Filipe e outros.
10- Morre António Chaves Maziotti, proprietário e deputado por Sintra durante o período da monarquia.
26- Início da demolição dos edifícios secundários do Palácio Nacional de Sintra e trabalhos de requalificação do espaço, sob orientação do arquitecto Rosendo Carvalheira. Lança-se grande número de foguetes.


Junho
É ordenada uma sindicância ao administrador do concelho Gregório Casimiro Ribeiro, o que provoca uma onda de indignação entre os republicanos.

Durante a greve dos elétricos em Lisboa, carros de Cintra, da empresa Joaquim Simplício ajudam a furar a greve(abaixo, foto de Joshua Benoliel)


Julho
12- A imprensa da época relata ter abortado uma conspiração monárquica na Carregueira, montada na quinta do marquês de Borba. Uma bateria de Queluz a cavalo com o apoio de republicanos sintrenses como Sá Piedade e Júlio Borges, entre outros, invade o local e aprisiona os conspiradores, que resistem com tiros.


20-Inauguração do serviço de abastecimento de água na Praia das Maçãs.


Agosto
17-Inauguração na Sala dos Veados, no Palácio da Pena, duma exposição de vários tapetes egípcios de grande valor.


Novembro

A Portela de Sintra, antes Casal dos Cosmes
16- Recepção em Sintra aos oficiais do cruzador brasileiro Benjamin Constant.

A Imprensa da época dá nota dum crime na Praia das Maçãs


1913

Albrecht Haupt publica em Lepzig o seu livro Lissabon und Cintra

É administrador do Concelho o doutor José da Ponte e Sousa. A Câmara segue a bom ritmo, com várias obras a decorrerem, como a troca de terreno em Fontanelas para a instalação da escola primária, numas casas que haviam sido de um capelão. Na vila, é autorizada a terraplanagem da Praça da República e o transplante das árvores ali existentes.

Deixa de se comercializar a água do Monte Banzão, por diminuição do caudal. Esta diminuição, segundo Camacho Rodrigues, deveu-se aos aluimentos de terras causados pelos fortes abalos sísmicos de 1908.


Janeiro
1-Início do pagamento de entradas no Palácio da Pena, 20% do valor reverte para a Misericórdia de Sintra
18- Fim do calcetamento da Volta do Duche
Nas eleições de 1913 o centro mais afecto ao Partido Democrático é Colares, e à Lista Regional, Montelavar, onde se concentram os industriais mais conservadores.
Ferreira Júnior preside ao executivo municipal e Aníbal Lúcio de Azevedo é administrador do concelho.


Março

Hotéis de Sintra em 1913

1-Fundação do Sintra Foot Ball Clube, que a partir de 8 desse mês passou a jogar no campo de Seteais. Tinha sede na Praça da República nº 12. Foi reorganizado em 1920, e terá durado até 1933.
16-Festa da árvore no Casino Cintrense e em Colares 

Abril
8- O Clube Foot-Ball de Sintra é autorizado a jogar no Campo de Seteaes.


D. Álvaro de Saldanha e Castro, filho e herdeiro do 3º conde de Penamacor, D. António Maria de Saldanha Castro, vende a propriedade da Penha Verde ao 2º visconde de Monserrate, Frederick Lucas Cook


Junho
O “Concelho de Sintra” muda de proprietário e passa a ser dirigido por Alfredo Alvim.

Decreto que permite a exploração de águas minerais em Casal de Cambra, em 1913

Julho
2- Fundado o grupo Folclórico de Belas


Setembro

23-Estando Afonso Costa a banhos na praia das Maçãs, no desaparecido Hotel Royal (foto acima) para ali se dirigem vários opositores com o firme propósito de o assassinarem. O facto chega ao conhecimento de republicanos de Sintra que, organizando grupos de defesa passam a exercer apertada vigilância junto ao hotel, mandando parar os carros que para a praia se dirigiam e revistando e identificando todas as pessoas. Sabe-se mais tarde que teria estado marcado para o dia 23 de Setembro o golpe de misericórdia, embarcando os assassinos em separado em diversas estações do comboio com destino a Sintra. Avistados pela defesa civil na Praia das Maçãs, não logram levar avante o intento, e voltam para Sintra, onde, surpreendidos na estação, três deles são presos pelas onze da noite desse dia, e um, Miguel Costa Gaião, chega mesmo a oferecer resistência armada. Ele e um Jaime Augusto, alfaiate do depósito de fardamentos, bem como um tal Alberto Correia, são detidos e presentes no posto policial de Sintra, sendo-lhes aí apreendidas várias pistolas automáticas e punhais. Consta que o Gaião terá dito:”não foi desta, será doutra

Também António Augusto Carvalho Monteiro foi envolvido neste episódio, tendo sido detido juntamente com outros quatro homens por alegado envolvimento no “complot da Praia das Maçãs”. Acusado de dar guarida a um dos conspiradores, Carvalho Monteiro protestou, como notava “A Capital”, com uma “veemência extraordinária, que o leva a um estado de irritação verdadeiramente excepcional”. Seria libertado semanas depois, sem reconhecer culpa, mas admitindo, com orgulho, ter contribuído para a caravela de prata que um grupo de monárquicos oferecera como presente de casamento a D. Manuel no exílio. Pouco depois, no dia de Natal de 1913, a sua mulher morria

Outubro

20- É por decreto substituída a Comissão Administrativa da Câmara e o Administrador do Concelho, tendo sido nomeados, para presidente Júlio Pedro Macedo Coelho, vice-presidente Francisco Martins, e os vogais Francisco Antunes Monteiro, Heitor Correia, José dos Santos Coelho, António Duarte da Silva e Sousa e João Francisco Rosa. À frente da administração do concelho, fica Aníbal Lúcio d’Azevedo. Mas, logo a 6 de Novembro, o vogal João Francisco Rosa pede para ser substituído no cargo, dada a sua idade avançada, tendo entrado em seu lugar o suplente Manuel da Silva Vistas. Esta nova Comissão Administrativa tem como principal tarefa preparar e coordenar, a nível concelhio, as primeiras eleições livres, realizadas a 30 de Novembro de 1913

Novembro
30-Primeiras eleições administrativas da República. PRP 737 votos (76,5%) Lista Regional 226 votos (23,5%). Em 24 vereadores, o PRP obtém 18, e a Lista Regional 6. Dos nomes da lista do PRP destaque para António Duarte da Silva Sousa, João Lopes Coelho, José Bento Costa, José dos Santos Coelho, José Simões e Torcato Pardal Monteiro.
Virgílio Horta presidente do Senado Municipal

Canalização da água da Fonte das Eiras para o chafariz de Agualva

Correnteza, Sintra


 1914


Janeiro
2- Toma posse a Câmara Municipal saída das eleições de 30 de Novembro. Depois da tomada de posse, procede-se à eleição do presidente, vice-presidente, secretário e vice-secretário. A primeira Câmara Municipal de Sintra directamente eleita, ficA assim constituída: presidente Virgílio Horta, vice-presidente José Bento Costa, secretário Francisco Soares Ribeiro, vice-secretário Torcato Pardal Monteiro. Completam o executivo os vogais: António Duarte da Silva e Sousa, António José da Luz, António do Nascimento Fontoura, Francisco Alves Pereira de Carvalho Júnior, Francisco Antunes Monteiro Júnior, Francisco Rodrigues Ferreira Júnior, João Duarte de Castro, João Lopes Coelho, João Ramos Lourenço, José Alberto Ferraz, José d’Almeida Freire, José Faria da Costa, José Ferreira Sá Piedade, José dos Santos Coelho, José Simões, Júlio Amaro dos Santos, Ludgero Gomes da Silva, Manuel Ferreira Júnior, José Simões Ferreira e Francisco Martins.


Conclusão da Casa do Cipreste, de Raul Lino.
Morre o Conde da Azambuja,dono de Seteais, sucede-lhe D.Pedro José Mendonça

Abril

14-Surge a Associação Comercial e Industrial de Sintra,com sede na Praça da República
26-Surge em S.Pedro o jornal “O Penaferrim“, dirigido por Joaquim Rodrigues Ferreira

Junho
2- Sai o primeiro número do “Notícias de Sintra“. Funciona na R. Alfredo Costa nº 10 e era dirigido por António Cunha e propriedade de João Roberto Rosado.
29- António Duarte da Silva Souza preside à comissão concelhia do Partido Republicano (PRP)

Outubro
18-Criada a empresa Sintra-Atlântico, que sucede à Sintra ao Oceano, dirigida por Collares Pereira e Álvaro Vasconcelos, entre outros.

Novembro

3- Oliva Guerra publica no número 487 da Ilustração Portuguesa o  seu poema Avante, onde incita os portugueses à luta na primeira grande guerra, e que teve repercussão abrindo-lhe as portas da Imprensa à época, destacando a menina de São Pedro de Penaferrim, em Sintra, nascida na rua Manuel Adriano Mourato Vermelho, na casa ancestral que depois herda e conserva a vida inteira, vida que sempre esteve ligada a Sintra

No Conservatório Nacional de Lisboa foi Pianista – aluna de Costa Reis, Alexandre Rey Colaço e Viana da Mota. Foi ainda Professora de Português e Literatura.

Como poetisa escreveu Espirituais (Lisboa, 1921), Encantamento (Lisboa, 1926), Serenidade (Lisboa, 1933), Fonte Distante (Lisboa, 1944), Silêncio (Lisboa, 1956), À Esquina do Tempo 1922-1974 (Lisboa, 1975) – esta última obra de carácter antológico – , e ainda; Beviário do Pianista (prefácio de José Viana da Mota; Lisboa, 3ª edição); Ritmos (Lisboa, 1928)  – com evocações de César Franck, Erik Satie, Chopin, Liszt – , O Tapete Encantado (De  Uma Lenda de Alhandra), (Lisboa, 1928) – que considera uma “novela em verso para crianças” -, Evocações (Lisboa, 1930) – de Portugal, de França, de Espanha – , Poeira da Vida (Lisboa, 1936) – contos – Roteiro Lírico de Sintra (Lisboa, 1940) e Passos ao Longe (Lisboa, 1965) – crónicas – Traduziu: de Gino Saviotti, Santo António de Lisboa (Lisboa, 1944); de Gerhardt Hauptmann, O Apóstolo (Coimbra, 1945) – para o Instituto Alemão da Universidade de Coimbra; de Corrado Álvaro, O Homem É Forte (Porto, 1945); de Piero Bargellini, Florença – Cidade de Pintores (Lisboa, 1954). Oliva Guerra, organizou e prefaciou o In Memoriam de Viana da Mota. “Na prosa e no verso, é tomântica e sentimental”, assim se lhe refere João Gaspar Simões, in História da Poesia Portuguesa do Século Vinte – Acompanhada de Uma Antologia (Lisboa, 1959).

10- A Câmara de Sintra delibera aprovar a proposta do Vereador José Ferreira Sá Piedade «para que se reclame, pelo Ministério da Guerra, a criação de uma Escola de Instrução Militar Preparatória na povoação de Queluz, apresentando-se o alvitre de se estabelecer no Quartel das Baterias ou, no caso de nisso haver inconveniente, de se aproveitar o oferecimento do Centro Escolar Republicano “A Luta” e [de] uma sala e do seu parque para esse fim». A edilidade manifesta assim o seu conhecimento da evolução político-militar do conflito, pretendendo que Sintra possa assumir um protagonismo nacional direto através do Estado ou do associativismo ideológico – referindo-se aqui, como hipóteses  desta preparação a sede da célula pedagógica republicana local situada no Bairro Almeida Araújo, em Queluz, ou o Palacete da Arcada do quartel fronteiro ao Palácio Nacional de Queluz

24-Logo no início da Grande Guerra, e quando os soldados portugueses partem para a defesa das antigas colónias, a Câmara Municipal de Sintra, então presidida por Virgílio Horta, na sua reunião de 24 de Novembro de 1914, decide enviar às nossas tropas a seguinte mensagem: «A Câmara Municipal de Sintra saúda o exército de terra e mar, e confiando no seu nunca desmentido patriotismo, a ele confia a guarda e segurança da integridade da Pátria e da República Portuguesa».

É construído o chafariz fronteiro à Câmara, projecto de Tertuliano Lacerda Marques, esculpido em mármore por José da Fonseca
É fundada a Cooperativa Libertadora Sintrense.

Fundada a Fábrica de Tintas da Quinta Nova do Tojal.


1915


Francisco Martins preside à comissão executiva da Câmara


Fevereiro


7- Inaugurado o teatro da Tuna Operária, na Estefânea.
Constituída a Liga dos Amigos da Praia das Maçãs, por Inocêncio Camacho e António Garcia de Castro, entre outros.


Março


7- A Câmara protesta contra o governo ditatorial de Pimenta de Castro
21-Sai o jornal A Árvore, editado por António Cunha, com sede na Av. Miguel Bombarda


Julho


António Rodrigues Formigal é dono do Palácio de Seteais.


Agosto


21-Fundada a Colónia Penal Agrícola
Construção do chafariz da Rua Sotto Mayor.
José da Fonseca é autor da fonte de Seteais
As adegas Viúva Gomes, de Almoçageme, vencem o Grande Prémio da Exposição Mundial Panamá-Pacífico

Setembro

10-É nomeado, por ofício do Governo Civil, António Almeida Rodrigues dos Santos para Administrador do Concelho. .

14-O Governador Civil de Lisboa extingue a Irmandade do Santíssimo Sacramento da freguesia de Santa Maria e a Irmandade do Santíssimo Sacramento da freguesia de São Pedro de Penaferrim, por não terem reformulado os estatutos nos termos da lei de separação entre a Igreja e o Estado.

21-Por causa dos múltiplos problemas no abastecimento de água, entregue na mão de concessionários, a Câmara avança com uma proposta para a sua municipalização

Outubro

12-Um alvará do Governador Civil de Lisboa extingue a Irmandade do Santíssimo Sacramento da Igreja da Vila de Sintra, criada em 1726, e a Irmandade do Senhor Jesus dos Passos, da Igreja de S. Martinho, por não terem reformulado os estatutos nos termos da lei da separação entre a Igreja e o Estado.

Dezembro
6- Morre em Lisboa Carlos Sassetti, dono da Quinta da Amizade, na sequência da epidemia de gripe que assolou a Europa durante a 1.ª Grande Guerra Mundial. Os seus herdeiros foram a sua mulher, Mary Fernandes Sassetti, e o seu filho, Carlos Sassetti, que morreu sem deixar descendência. A vila Sassetti foi então alugada ao milionário arménio, Calouste Sarkis Gulbenkian, até à data da sua morte em 1955.

15- O Dr. Brandão de Vasconcelos, senador e representante de Colares, demite-se do Parlamento, com a seguinte carta:

Exmº Senhor Presidente do Senado. Nas mãos de V.Exª venho depor a minha renúncia a Congressista.

No início da passada sessão ordinária perante a dificuldade de conciliar os afazeres profissionais, e de lavrador em Colares, região de monocultura e que temerosa crise atravessa, com as funções legislativas, quis abandonar o Parlamento. Tendo porém surgido o conflito com o senado fiquei a acompanhar os meus colegas na reacção contra uma violência que me revoltava e que traduzia o nenhum respeito, que certos políticos tinham pela lei, pelo espírito e letra da Constituição, tentando transformar arbitrariamente e por meras conveniências partidárias o sistema bi-camaral em uni-camaral.

Agora já em um periodo execepcional de legislatura prorrogada resolvi retirar-me, lamentando a solução que teve a crise ministerial em que numa ocasião tão grave da vida portuguesa se constitue um ministério que em parte representa um desafio ao resto da nação que não comunga nas ideias Democráticas*, como se todo o País não estivesse interessado na momentosa questão da guerra europeia, como se não fosse todo ele que tem de pagar os enormes encargos que caíram e continuarão a pesar sobre as finanças portuguesas, para fazer face aos quais se vai lançar mão do agravamento da contribuição predial com a sua base iníqua de incidência cujas desigualdades a REPUBLICA TEM VINDO AGRAVAR.

Há muito que tenho a opinião de que a monarquia caíra muito pelos seus erros, mas também por falta de respeito por conveniências sociais. Infelizmente republicano antigo e como tal continuando a ser, vejo o mal não só deste ou daquele partido, deste ou daquele regime, é orgânico, é nacional.

Sem paixões partidárias, já velho para continuar na luta em vez de fazer como os meus colegas que não comparecem à sessão do Senado, resolvo retirar-me por uma vez, fazendo a toda esta câmara, a que vossa Ex.ª tão dignamente preside e onde não sofri o minimo agravo pessoal as minhas respeitosas saudações e despedidas

Saúde e Fraternidade, Colares, 15 de Dezembro de 1915″

A Ponte do Rodízio, para a Praia Grande, em 1915


25-Falece Perpétua Augusta Pereira de Melo, esposa de António Augusto Carvalho Monteiro, com quem casara em 1873 e com a qual teve dois filhos.

1916

Rodolpho  Pinho e Affonso Leão escrevem O Concelho de Cintra: Esboço Económico Agrícola. Sintra: Minerva Comercial Cintrense

Em 1916 Portugal entra na Grande Guerra, e Sintra também participa no esforço de guerra. Muitos são os sintrenses que seguem para as frentes de batalha na Flandres e na França, tal como o poeta e médico Joaquim Nunes Claro que serve no hospital militar em Hendaia durante a I Guerra Mundial.

Um contingente militar (de Artilharia, Cavalaria, Engenharia e Infantaria) recém-mobilizado da 1ª Divisão Militar de Lisboa, comandado pelo General António Júlio da Costa Pereira de Eça, fica aquartelado no edifício sede da extinta Freguesia de Agualva – Cacém e depois no palacete da Quinta da Fidalga, sendo a Capela de Nossa Senhora da Consolação de Agualva usada como enfermaria.

A soldadesca (sobretudo de Infantaria 16) recebe aos domingos a visita maciça de familiares e amigos com víveres no acampamento campestre (em bivaques de exercícios durante algumas semanas e numa extensão de vários quilómetros desde Montelavar a Norte até Queluz a Sul e incluindo Granja do Marquês, Fação, Morelena, Pero Pinheiro, Coutinho Afonso, Sabugo, Carregueira, Meleças, Mercês, Cacém, Agualva, Belas, Idanha, Pendão, Carenque, Queluz e Afonsos), transportados pelos comboios de Oeste até à estação ferroviária do Cacém.

Aqui mesmo se recebe, transportado em camiões Kelly, o apreciado vinho ramisco  embarrilado e fornecido pela Adega Viúva Gomes (agraciada com o Grande Prémio da Exposição Mundial do Panamá – Pacífico em 1915) de Almoçageme para abastecer as tropas portuguesas até França. Por outro lado, o Quartel-General do Corpo Expedicionário Português chega a ser instalado no Palácio Nacional de Queluz em 1916, em quase cumprimento da anterior sugestão municipal de 10 de Novembro de 1914 quanto à criação de um estabelecimento militar instrutório no Palacete da Arcada ou no Centro Escolar Republicano local.

Azenhas do Mar, 1916

Fundada a Sociedade Recreativa da Estephania, a funcionar na R. Veiga da Cunha nº 32


Janeiro 
16- Virgílio Horta é reeleito presidente, o vice-presidente continua a ser José Bento Costa, secretário Torcato Pardal Monteiro e o vice-secretário José Alberto Ferraz.


A pequena propriedade ocupa nesta altura metade do concelho,16.285 hectares; a média propriedade 1/8, 4071 hectares, e 3/8 a grande propriedade, 12314 hectares. As maiores propriedades cerealíferas localizam-se em Casal de Alfouvar e Casal da Torre, e na Granja do Marquês

 Uma gincana na Pena

Abril

4-Surge a Nova Irmandade do Santíssimo Sacramento da Igreja da Vila de Sintra, fundada por 28 paroquianos, entre os quais António José Soares. Terá durado até 1923.


Maio
2- Morre João Augusto Cunha, fundador dos Bombeiros de Sintra

3-A Irmandade do Sagrado Coração de Maria da freguesia de S. Pedro de Penaferrim funde-se com a Associação de Socorros Mútuos 3 de Outubro de 1884.

Recepção a marinheiros ingleses na Pena
Junho
22- Por proposta do vereador Francisco Álvares Pereira de Carvalho Jr. a Câmara delibera que o feriado municipal seja a 29 de Agosto, data do falecimento em Sintra de Latino Coelho.

    Belas
Depois de dissolvida a sociedade que entretanto tinha feito com José Ambrósio, Gregório Casimiro Ribeiro estabelece-se por conta própria no Largo de Regedor, em S. Pedro, denominando as queijadas que fabricava com a marca “Fábrica de Queijadas Recordação de Sintra”.


Agosto
27-Inaugurada uma estação de incêndios no Largo Afonso de Albuquerque 

A igreja de Nossa Senhora da Consolação, em Agualva, é usada como enfermaria pelos soldados do CEP alojados na Quinta da Fidalga.

Novembro

Durante o mês de Novembro, a crise do pão agudiza-se, apesar da vereação ter fixado o preço do pão em treze centavos e meio e solicitar ao Administrador do Concelho que exercesse uma fiscalização rigorosa sobre o peso do pão e a qualidade da farinha.

24- Manifestações junto aos Paços do Concelho, com violência e insultos, ao ponto de a Câmara decidir mudar os horários das reuniões para ludibriar os manifestantes.

«Pouco depois do meio dia, alguns pequenos grupos apareciam em frente dos Paços do Concelho, grupos que foram pouco a pouco engrossando, enquanto a torre do relógio municipal, na Praça da República era assaltada, e os sinos tocando desesperadamente a rebate, punham em sobressalto a povoação». Perante o evoluir da situação, o vereador Carvalho Júnior culpa o Administrador do Concelho: «viu-se impotente para manter a ordem e evitar agressões e desacatos, e corre ao telefone na mercearia fronteira, a pedir o auxilio da guarda republicana, de Lisboa, e fê-lo tão levianamente, sem recato algum, que momentos depois corria de bôca em bôca tudo quanto ele tinha transmitido», e acrescenta: «exagerava os factos – tal era o medo – dizendo que estavam reclamando para cima de setecentos individuos, quando a verdade é que, incluindo mulheres e crianças, os manifestantes não atingiam metade d’este numero.». Por tudo isto, Carvalho Júnior comunica à Câmara que achava que «o administrador do concelho, para apaziguar o povo, procurava principalmente pôr a sua pessoa a salvo de qualquer desacato, declarando ás comissões que admitiu no seu gabinete que o povo tinha razão no seu protesto, pois que não podia pagar o pão mais caro, mas que ele nenhuma culpa tinha, pois que a deliberação era da Câmara, e só esta era a responsavel.». Este vereador continua ainda o seu relato: «No dia seguinte, hontem, cerca das catorze horas, voltaram de novo os mesmos reclamantes, e muitos outros, e os seus protestos e reclamações tinham já um caracter mais violento e agressivo. Tinha já na vespera chegado uma força de infantaria da guarda republicana, que teve de intervir em pequenos conflitos que então se esboçavam a dentro do edificio municipal, pelos manifestantes, que o administrador permitiu que invadissem o atrio, pondo assim em risco a segurança não só de todos os que aqui se encontravam, mas do proprio edificio.». Por fim, Carvalho Júnior propõe à Câmara a revogação da postura do preço do pão, esperando que o povo «roubado e envenenado pela Moagem |…| venha pedir a intervenção da Câmara». O vereador Silva e Sousa acrescenta que «Estranha o procedimento do administrador do concelho, contra o qual protesta, e lamenta não o ter presente |…| parecendo estar ao lado da Companhia Nacional de Moagem, que é por assim dizer um estado no Estado».


1917

O pintor inglês Frank Craig passa uma temporada na Quinta da Bela Vista, emprestada pelos Cook, de Monserrate

António da Cunha publica Crónicas Saloias: Impressões, Alvitres & Fantasias. Edição de autor

Abril

10-Proposta do Vereador José Ferreira Sá Piedade para «que seja mandado ao Senhor Ministro da América em Lisboa um telegrama de saudação, manifestando-se assim a satisfação do Concelho de Sintra pelo poderoso concurso que a grande República dos Estados Unidos veio trazer à causa da humanidade” (no contexto da entrada dos EUA na Grande Guerra)


Maio
16- Fundado o Grupo Excursionista Alpino O Grilo na adega de Henrique Soares
Construção de uma instalação para produção de gás acetileno no farol do Cabo da Roca.


Novembro
4-Novas eleições administrativas, vitória do PRP. Ramos Lourenço eleito pela corrente socialista.


Dezembro
15- Morre em Colares o padre Mathias del Campo, um dos primeiros habitantes da Praia das Maçãs, em 1888, e coadjutor de Colares desde 1874. 

Realização do filme “Escola de Oficiais Milicianos de Queluz” pelos Serviços Cinematográficos do Exército.

1918

Janeiro

2-Virgílio Horta continua a ser o presidente e, nessa sessão, dá posse aos vereadores Manuel Joaquim Norte Júnior, Jerónimo Inácio Cintra, Joaquim Marques, Carlos Augusto Fernandes Serra, Veríssimo da Silva Rosa, Gregório Duarte, José Bento Costa, José Filipe dos Santos, Joaquim da Silva, Manuel d’Almeida, José d’Almeida Freire e António Duarte da Costa Reis.

Abril

22-Albert Beauvalet requer licença para explorar uma nascente de água minero-medicinal, situada na freguesia de Rio de Mouro. A pretensão foi colocada à discussão pública, e convidavam-se todas as pessoas a quem a referida concessão pudesse prejudicar, apresentarem as suas reclamações no Ministério do Trabalho, dentro do prazo de sessenta dias a contar daquela data. Albert Beauvalet, era um engenheiro de nacionalidade francesa, entusiasta do automobilismo, sócio e dirigente do ACP (Automóvel Clube de Portugal), também piloto de corridas. Ao seu dinamismo como empresário ficou a dever-se a construção duma das primeiras grandes garagens para automóveis, em Lisboa na Praça dos Restauradores no sitio que  hoje é o hotel Eden, e onde foram as cavalariças dos Condes de Castelo Melhor.


Maio
3-Joaquim Maria Oliveira Cunha comandante dos Bombeiros de Sintra
O Presidente Sidónio Pais visita Sintra.

Surto de pneumónica, que obriga a recrutar os presos da Colónia Penal Agrícola para os enterramentos


Agosto

23-Numa missão de patrulha, despenha-se o hidroplano “Tellier nº 5” no mar e a doze milhas a Oeste do Cabo da Roca, tripulado pelos Primeiro Tenente Piloto Aviador Eduardo Francisco de Azeredo e Vasconcelos (1889-1918) e Primeiro Grumete Observador Joaquim António de Passos Ferreira

Aurora de Macedo adquire a Quinta do Espingardeiro, em S. Pedro, ao visconde de Soares Franco.
Conclusão dos jardins da Quinta da Regaleira
Carvalho Monteiro constrói um palácio na Peninha, projecto de Júlio da Fonseca

 Bombeiros de Sintra 1918
Dezembro
4- José Rodrigues Sucena e Carvalho Monteiro compram Seteais.
Construção do pavilhão de S. José, na Casa de Saúde do Telhal

Luís Azevedo e Silva torna-se proprietário do Grémio Garrett

Fundada a delegação de Sintra da Assistência 5 de Dezembro (Sopa dos Pobres)

Realização dos filmes “Mal de Espanha” e “Malmequer” de Leitão de Barros, Lusitânia Film.


1919

Fundada a Cooperativa A Libertadora Cintrense, ligada ao Centro Republicano


Janeiro
16- José Bento Costa presidente do executivo camarário, vice-presidente José d’Almeida Freire, 1º secretário Torcato Pardal Monteiro, 2º secretário Joaquim Marques, e como vice-secretários os vereadores João Lopes Coelho e José António Simões Raposo. Como vogais são eleitos os vereadores Augusto Gregório Tavares, João António Carretas, João Baptista Consiglieri, Pedro Gomes da Silva, José Rodrigues Boléo, José Simões, Manuel d’Almeida, Manuel Ramos Ferreira de Carvalho, Manuel Vilela Fernandes de Barros, António Duarte da Silva e Sousa e Jerónimo Inácio Cintra.


Maio
24-Por morte dos proprietários, o Convento da Trindade passa para Maria Emília Franzini de Roure,
25- Eleições administrativas, vitória do PRP. José Bento Costa é presidente do Senado Municipal
Consiglieri Pedroso é presidente da Comissão Executiva da Câmara

Julho
14-Festa da Vitória e da Paz
19- Ulrich Frei toma conta do Hotel Central 
19-  Vários jornais vão tomando partido pelas varias facções republicanas, surgindo nesta data a A Voz de Sintra, afecto ao Partido Evolucionista, depois Partido Republicano Popular, de António José de Almeida, e dirigido por António Cunha. Funcionava na Av. Miguel Bombarda nº5.

19- No teatro Monserrate (salão de Galamares) vai à cena a revista “Sem pés nem cabeça” com Guilherme Oram(foto abaixo) e Eduardo Gaio como compéres, tendo rendido 246 escudos para a Misericórdia de Sintra.

Agosto

27-O Diário da República anuncia a criação da Escola Primária Superior que haverá de surgir e durar até 1925 ( para alunos entre os 12 e os 15 anos, misturando o ensino geral com o técnico). Será seu director António Joaquim das Neves, o Mestre Neves.

O funcionamento da Escola Primária Superior de Sintra inicia-se no ano letivo de 1919-1920, à semelhança, aliás, do sucedido com a maior parte das suas congéneres. Em 20 de agosto de 1919, é mesmo constituída uma comissão com o fim único de promover, junto do ministro da Instrução Pública, a criação imediata da referida escola (comissão presidida pelo vereador da instrução, José Rodrigues Boléo, dela fazendo parte, entre outros vereadores, José António Simões Raposo e Consiglieri Pedroso). Em 1920, convém notar, o concelho de Sintra apresentava uma taxa de analfabetismo de 70%.

Apesar da reorganização de 1924 e da crescente frequência de alunos, é evidente que a Escola não correspondeu aos anseios da generalidade da população. As críticas formuladas na imprensa local deixam, aliás, perceber o que se pretendia. Com efeito, sustentava um articulista em 1926, as escolas primárias superiores não haviam sido “criadas para fazer literatos, mas sim para habilitar para a vida prática” (O Despertar, 22/05/1926). Assim, propunha que na Escola Primária Superior se instalassem: “uma aula de desenho industrial, um laboratório, uma biblioteca, uma oficina de modelação, um simulacro de escritório comercial” (Idem). Em síntese, o ensino não se ajustava às necessidades locais de produção. Acabou em 1925.

Afonso de Macedo, do Partido Evolucionista, é deputado por Sintra no Parlamento

Novembro-Epidemia de varíola em Rio de Mouro.
19- Fundada a Sociedade Filarmónica de Pêro Pinheiro


Dezembro
19-O Convento da Trindade é vendido a Ernesto Henrique de Seixas
25-Grande incêndio num prédio na R. das Padarias

Cadeia Comarcã

A Cadeia Comarcã


1920


Janeiro
2-José Bento Costa volta a ser eleito presidente, surgindo agora João Consiglieri Pedroso como vice-presidente. O 1º secretário continua a ser Torcato Pardal Monteiro, o 2º João Lopes Coelho e o vice-secretário Jacinto Bernardino Gomes. A restante vereação é composta por Augusto Gregório Tavares, António Duarte da Silva e Sousa, José António Simões Raposo, Jerónimo Inácio Cintra, Joaquim Marques, José Rodrigues Boléo, Manuel d’Almeida, Manuel Ramos Ferreira de Carvalho, João António Carretas, José d’Almeida Freire e Manuel Vilela Fernandes de Barros. É nomeado Administrador do Concelho Eduardo Frutuoso Gaio.

Fundada a estrutura local de Sintra do Partido Republicano Popular

9- Jacinto Gomes, conhecido republicano e comerciante de Sintra suicida-se após o seu negócio ser destruído por um fogo.

 Neste ano Sintra tem 29903 habitantes (menos 1,5% que em 1911), em parte derivado aos surtos epidémicos de 1918.

A electricidade chega a Agualva
Fundada a Fábrica de Chumbo do Alto da Bela Vista
O negócio de vinhos da Viúva de José Gomes da Silva passa para a Companhia de Vinhos e Azeites de Portugal SARL


Fevereiro
5-Criada a Escola Militar de Aviação na Granja do Marquês

9- Morre o Dr. Gregório de Almeida, médico em Sintra desde 1891 e considerado “O Pai dos Pobres”, na sua casa da Estrada da Macieira.

Março
20- Greve dos empregados da Sintra- Atlântico.


Abril

Marconi visita Portugal, e Sintra

Inventor do primeiro sistema prático de telegrafia sem fios, em 1896,  Marconi  fez a sua primeira transmissão pelo Canal da Mancha. A teoria de que as ondas electromagnéticas poderiam propagar-se no espaço, comprovada pelas experiências de Heinrich Hertz, em 1888, foi utilizada por Marconi entre 1894 e 1895. Tinha apenas vinte anos, em 1894, quando transformou o celeiro da casa onde morava num laboratório e estudou os princípios elementares de uma transmissão radiotelegráfica, uma bateria para fornecer electricidade, uma bobina de indução para aumentar a força, uma faísca eléctrica emitida entre duas bolas de metal gerando uma oscilação semelhante às estudadas por Heinrich Hertz, um coesor, como o inventado por Branly, situado a alguns metros de distância, ao ser atingido pelas ondas, accionava uma bateria e fazia uma campainha tocar.

Marconi esteve em Portugal três vezes, em 1912, quando fez uma palestra na Sociedade de Geografia, em 1920, altura em que visitou Sintra, como se pode ver na foto acima, nas escadarias do Paço, e em 1929.

8-A Câmara delibera por unanimidade que seja mantido em beneficio de dois filhos doentes do doutor Gregório de Almeida, o subsidio vitalicio anual de duzentos e setenta escudos em partes iguais a cada um d’eles, importancia egual á dotação do partido médico servido pelo falecido facultativo, em vista das precarias circunstancias em que ficaram, revertendo integralmente esse subsidio por falecimento de qualquer d’eles, para o que sobreviver.».


18- Inaugurado um mercado diário na Praça D. Fernando II em S. Pedro


Maio
5- Fundado o Clube de Futebol “Os Montelavarenses”
O repuxo real é deslocado para o centro do Terreiro Rainha D. Amélia.


Por iniciativa de Jerónimo Inácio Cintra, vereador da Câmara, José da Fonseca projecta a fonte no extremo da Volta do Duche.


Adriano Júlio Coelho funda a Sociedade de Turismo de Sintra, no âmbito da qual se construirá o Casino, o Bairro das Flores e farão melhoramentos no caminho de ferro. A firma adquire a empresa das Águas de Sintra, Lda

Vasco Regaleira constrói a Quinta de Sto António da Serra para sua mãe
21- Morre em Londres o 2º visconde de Monserrate, Frederick Cook, herda o filho, Herbert Cook, desenvolvendo o jardim de Monserrate e contratando Warren Oates. O pai criara em Inglaterra um curso de língua portuguesa.


Agosto
29- Nasce em Tavarede, Figueira da Foz, Maria Almira Medina
Raul Lino constrói a Casa Branca, nas Azenhas do Mar


Outubro
20- Fundação do Sporting Clube de Lourel, filial nº 108 do Sporting Clube de Portugal


24- Na sequência de uma queda, morre António Augusto Carvalho Monteiro, às 11h55, no seu quarto da Quinta da Regaleira. Herda a Quinta da Regaleira o filho Pedro Augusto de Mello de Carvalho Monteiro.

António Augusto de Carvalho Monteiro nascido no Rio de Janeiro em 27 de novembro de 1848, ficou    conhecido pela alcunha de Monteiro dos Milhões, e foi um homem de cultura, camonista e entomologista, especialmente conhecido por ter sido o responsável pela construção do palácio da Quinta da Regaleira, em Sintra.

Herdeiro de uma grande fortuna, multiplicada no Brasil com o comércio de cafés e pedras preciosas, cedo embarcou para Portugal onde se licenciou em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra em 1871.

Casou-se, em 1873, com Perpétua Augusta Pereira de Melo, e regressou ao Brasil, onde viveu em Petrópolis e no Rio de Janeiro até 1876.Foi um distinto colecionador e bibliófilo, detentor de uma das mais raras coleções camonianas.

Ao morrer, em 1920, tinha mandado construir o seu túmulo, no Cemitério dos Prazeres (acima) ao mesmo arquiteto que construiu a Quinta da Regaleira, Luigi Manini A porta do jazigo, também ele recheado de simbologia, era aberta com a mesma chave que abria a Quinta da Regaleira e o seu palácio em Lisboa, na Rua do Alecrim.

O jazigo, localizado do lado esquerdo na alameda de quem entra no Cemitério, ocupando uma área com o lugar, o tamanho e a forma do secretário num templo maçónico, referenciando a igreja como oriente, ostenta múltipla e variada simbologia.

A porta tem gravada na aldraba, uma borboleta da família Sphingidae (esfingídeos) que tem a particularidade de ter um desenho no tórax semelhante a uma caveira.

O gradeamento, que se pode ver nas traseiras do jazigo, ostenta a simbologia do vinho e do pão, o espírito e o corpo. Corujas, símbolo de sabedoria, ornamentam o jazigo, assim como as papoilas-dormideiras que simbolizam a morte.


O Palácio da Peninha, de Carvalho Monteiro, é vendido ao seu advogado, Rangel de Sampaio. Por sua morte passa a propriedade da Universidade de Coimbra
Abre na Vila o Café Pérola de Sintra(hoje Café Paris)

Realizado o filme Sintra, da Pathé Films

1921

Janeiro

13-José Bento Costa continua como presidente da Câmara. Nessa mesma sessão, trata-se do preenchimento do lugar de facultativo do partido médico de Sintra, deixado vago pela morte do Dr. Gregório de Almeida. O povo e a Junta de Paróquia de São Martinho solicitam à Câmara que seja o Dr. João Baptista Cambournac o substituto.

Fundado o Colégio da Pena, na Gandarinha, gerido pelas irmãs Doroteias. Durou até 1936 naquele local.

Fundada a associação Os Novos Velhos (durou até 1926)
Construído o primeiro corpo do Casal de Santa Margarida, segundo projecto do arquitecto Norte Júnior (1878-1962)
Luís Sá pinta os azulejos da estação de Sintra (Norte Júnior fez o prospecto das lanternas). A obra, patrocinada por Adriano Coelho, é dirigida por Júlio da Fonseca

Início da construção em Colares das caves Visconde de Salreu, sob projecto de Norte Júnior(foto abaixo)

Junho

Anselmo Braancamp Freire (foto abaixo) publica a 2ª edição de Brasões da Sala de Sintra

Os Brasões da Sala de Sintra são a obra maior de investigação de Anselmo Braancamp Freire, autor que ocupa um lugar de excepção, de primeira fila, na legião dos que se dedicaram ao estudo da Genealogia, pois até essa data ela mantivera-se num estado de panegírica. A 2.ª edição da obra, consideravelmente enriquecida de novos elementos, foi preparada por Anselmo Braamcamp já quando a sua saúde se encontrava muito abalada e enfraquecida. Escreve ele a 17 de dezembro de 1921: “Fica-me uma grande saudade de não poder terminar esta segunda edição dos Brasões. Mas Deus assim o quis! São inúmeros os apontamentos de novos documentos para ilustração da obra. O leitor bem o alcança comparando o que ficou escrito na primeira edição e o desenvolvimento dado à matéria na segunda edição

Julho
28 – Um incêndio destrói na Praia das Maçãs o Hotel Royal Bellevue

Setembro
18- Aparece o jornal O Regional, dirigido por Gregório Casimiro Ribeiro,  e em 1923 por Amílcar Barros Queiróz. Dura até 1925.

Outubro

2- Fundação da Sociedade Benemérita de Queluz

Novembro

30-Decorre uma récita do grupo Os Novos Velhos na Tuna Operária de Sintra


Dezembro
8- Festas de Nossa Senhora da Conceição na Madre de Deus, Carrascal
Inauguração da Drogaria de Ferragens de Annes e Villaret na Praça da República.


1922


O filme O Destino, de George Pallu, da Invicta Filmes, é parcialmente rodado em Monserrate . Argumento de Ernesto de Meneses, jornalista do Primeiro de Janeiro, foi um êxito, chegando a alcançar 60 exibições. O terceiro visconde de Monserrate, Sir Herbert Frederick Cook desejou adquirir uma cópia para exibir em Londres, também por parte do filme ter sido rodado na sua propriedade.

Construção do tanque fronteiro ao Paço.
O abastecimento de água passa a ser feito pela Companhia das Águas de Sintra
Início da construção da Casa dos Penedos, da família Carvalho Ribeiro Ferreira, projecto de Raul Lino.

Janeiro

11-Falece na cidade de Lisboa Cupertino Ribeiro, republicano emérito, membro do directório incumbido de planear e realizar a revolução do dia 5 de Outubro de 1910. Cupertino Ribeiro é figura cimeira da história de Rio de Mouro, dono da antiga fábrica de estamparia de chitas, benemérito contribuiu com avultada quantia para construção do cemitério paroquial,

Abril

20-Comemorado no Centro Republicano o 11º aniversário da lei de separação entre a Igreja e o Estado


Maio
12-Sai o jornal O Grilo, propriedade do Grupo excursionista Alpino, com sede na adega de Henrique Soares e administração no convento dos Capuchos, onde realizam almoços anuais.Dura até 4 de Junho de 1926.

Fundação da Sociedade Filarmónica “Os Aliados” 

Junho

27-Fundado o Grupo Musical União de S. Pedro
29- O decreto 8218 classifica como monumento nacional a igreja de Santa Maria.

Julho
10-Classificação do pórtico e igrejas matriz de Belas (foto) e de S. João das Lampas, pelo decreto 8252

DGPC: A Igreja Matriz de Belas, de invocação de Nossa Senhora da Misericórdia, ergue-se no largo do mesmo nome, na povoação do concelho de Sintra. Não se conhecem elemento que permitam aferir com exactidão a data de fundação do templo, mas é provável que se trate de uma edificação do início de Quinhentos, coeva do seu pórtico manuelino, único elemento classificado. Sofreu seguramente várias campanhas de obras, bem patentes numa série de elementos arquitectónicos e decorativos da fachada e interiores, permanecendo de resto o portal como o principal vestígio de uma campanha original.
Trata-se de um pórtico simples mas elegante, rematado na forma aproximada de um duplo arco conopial, assente em delicados capitéis lavrados, sobre esguios colunelos lisos, e bases oitavadas. Ao centro do conopial, e como remate do conjunto, um cogulho vegetalista eleva-se sob o janelão da fachada.

29- Constituída a Sociedade de Turismo de Sintra Lda

Outubro

22-No Cabo da Roca o vapor espanhol Begoña, de 3450 toneladas colide com o vapor inglês Avontown.


Novembro

5-Primeira Assembleia Geral dos Bombeiros de Queluz elege presidente Artur Neves


Eleições administrativas e vitória da Lista Regional (conservadora) nas eleições administrativas . Em S. Pedro o acto foi rodeado de distúrbios e alguma violência.
Virgílio Horta volta a ser eleito presidente do Senado Municipal, toma posse em Janeiro de 1923

Dezembro

1-Fundada a Mutualidade dos 25

Adelino Figueiredo Lima é administrador do concelho e Joaquim Ribeiro de Carvalho presidente da Câmara
Em 1922 também Raul da Costa Gonçalves é presidente da Comissão Executiva da Câmara


Neste período procedeu-se durante algum tempo como se existissem duas câmaras, uma afecta aos democráticos, que reunia nos Paços do Concelho, e outra afecta aos monárquicos, que reunia em casa de José Antunes dos Santos
Até 1919 o PRP é dominante, sendo as suas figuras de maior relevo José Bento Costa, José Simões e Torcato Pardal Monteiro, entre outros, destacando-se na Lista Regional Virgílio Horta, maçon e pró-monárquico, e José Antunes dos Santos, conhecido capitalista que pratica a “compra” de votos em S. João das Lampas.

Realiza-se o filme “Sintra e os seus arredores“, da Caldevilla Film

Hotel Bela Vista, Azenhas do Mar, 1922


1923

Janeiro

2-Virgílio Horta regressa à presidência, tendo como vice-presidente José Antunes dos Santos, secretário Mário Coelho Teixeira e vice-secretário Joaquim Correia de Freitas. São ainda eleitos os seguintes vereadores: João Pedro da Silveira Gomes, Raúl da Costa Gonçalves, António Homem da Costa Cabral Júnior, Eduardo Vitorino de Morais, Inácio Pereira, João António Carretas, António Duarte da Silva e Sousa, Augusto Alberto Sanches, Manuel Soares Ribeiro, Manuel Vilela Fernandes de Barros, Serafim Alves da Silva e Torcato Pardal Monteiro.

Em S. Pedro nasce o Colégio-Liceu de Cintra, na Quinta de Santa Teresa


Numa reunião do Centro Republicano de Sintra (que funcionou no nº2 da R. das Padarias, na Vila) é decidido fundar um órgão afecto ao Partido Republicano (PRP) chamado O Despertar, e dirigido pelo industrial das Lameiras António Duarte da Silva e Souza, que será presidente da Câmara  até ao 28 de Maio.


Fevereiro
9-Um furacão assola a Praia das Maçãs, entrando na esplanada do restaurante Grego e ferindo o proprietário, Júlio Grego, tendo as águas do oceano passado 40m a ponte do Rodízio.

19-Anulada a posse de Virgílio Horta e recolocado como presidente do executivo José Bento Costa, embora quem assume é João Consiglieri Pedroso.

O Administrador do Concelho, Adelino de Figueiredo Lima, manda chamar a anterior vereação que tinha estado à frente dos destinos da Câmara nos últimos três anos, e declara nula a eleição dos presentes membros, tudo isto por sentença de uma auditoria administrativa cujas conclusões eram as seguintes: «Anulo para todos os efeitos legais estas eleições de vereadores efectivos e substitutos da Camara Municipal do Concelho de Sintra e de provedores pelo mesmo concelho á Junta Geral do Districto, por poder influir no resultado geral das votações a falta de apuramento de votos na assembleia de São Pedro de Penaferrim e mando que as mesmas eleições se repitam n’esta assembleia eleitoral dando como apurados e verificados os votos obtidos por todos os candidatos.».

Por causa desta anulação, nesse mesmo dia procede-se à instalação da antiga vereação e eleição do presidente, de novo José Bento Costa, do vice-presidente João Consiglieri Pedroso, 1º secretário Torcato Pardal Monteiro e 2º secretário João Lopes Coelho. Regressam ao activo os restantes vereadores: António Duarte da Silva e Sousa, Jerónimo Inácio Cintra, Joaquim Marques, José Rodrigues Boléo, Manuel d’Almeida, Manuel Ramos Ferreira de Carvalho, Manuel Vilela Fernandes de Barros, Augusto Gregório Tavares, João António Carretas, José de Almeida Freire, José António Simões Raposo e José Simões. É certo que muitos dos vereadores são comuns, já que tinham sido reeleitos nas recentes eleições, agora anuladas. Curioso é o facto de a presidência da Câmara vir a ser assumida pelo vice-presidente João Consiglieri Pedroso e não por José Bento Costa, isto sem que se tenha encontrado qualquer explicação para o facto.


Por essa altura, o actor António Nascimento representa na Tuna Operária de Sintra “A Roca de Hércules“, de Pinheiro Chagas, e o comércio local é marcado pela Minerva Comercial Sintrense, a Farmácia, Drogaria e Ferragens de Annes e Villaret, o restaurante Bijou, o Bristol, a construtora Santos e Santos ou a Tendinha de Sintra. As águas de Sintra são igualmente comercializadas.

 Tourada em Sintra
Março

18-Manuel Jesus Pereira é presidente dos Bombeiros de Queluz
25-Primeiro número de O Despertar (regista-se a notícia do dia 7 Outubro que menciona que por ocasião do 5 de Outubro desse ano, a junta de freguesia contemplou 137 pobres com 2$50 cada, e a Guarda Nacional Republicana contribuiu com 50$00 para a sopa dos pobres)
Construção do Casino. 

Presos vários republicanos, por revanche pela morte de Sidónio Pais, como Nunes da Silva, Júlio Amaro dos Santos, dono da Periquita, o industrial Henrique de Castro, e outros, sendo barbaramente espancados e chegando a estar 90 presos num espaço onde apenas cabiam 30.Contudo,pouco tempo depois, vindo a Sintra uma camioneta com marinheiros para por vingança levarem presos os sidonistas, os republicanos convencem-nos a não fazer prisões e com a banda da Sociedade União Sintrense à frente a tocar A Portuguesa organizam uma manifestação que percorreu a Vila, Estefânea e S. Pedro.


Junho
Instalada a comissão para erguer um busto ao Dr. Gregório de Almeida, médico e filantropo e venerável da loja maçónica Luz do Sol.


No desporto, pontificam o Sport Lisboa e Sintra, o Sport União Sintrense e o S.Pedro Foot Ball Clube.


Julho
1-Realiza-se a feira de S. Pedro, nesta altura ainda anual “nunca antes de oito nem depois de vinte e oito”

17- Morre António Cunha, um dos fundadores da “Camélia” e antigo director de diversos jornais como A Voz de Sintra ou o Jornal Saloio, e actualizador do Cintra Pinturesca em 1905.Foi ainda chefe da secretaria da Câmara, onde lhe sucede Albino Alfredo Cardoso.
29- O jornal O Regional passa para a posse da Liga regionalista do Concelho de Sintra, passando o director a ser Amílcar de Barros Queirós.


Agosto
11- No salão de Galamares, o grupo artístico Os Lusos apresenta a récita em I Acto, Malditas Letras.


26- Repetição das eleições administrativas, depois da confusão do acto eleitoral de 1922, que confirma a vitória da Lista Regional


Setembro
Tem de ser repetido o acto eleitoral em S. Pedro, depois de 35 soldados da GNR enviados pelo governo de António Maria da Silva terem invadido as assembleias de voto.

Outubro

23-Reunião do Partido Republicano Radical no Hotel Europa, na Estefânea


Novembro
17- Amílcar Barros Queirós é designado administrador do concelho.

23-Alvará do Governo Civil concede existência legal aos Bombeiros Voluntários de Queluz

28- A Câmara é eleita e logo destituída em Fevereiro, volta sob a presidência de Virgílio Horta.

E aqui podemos perceber um pouco mais sobre o que se passou: «O senhor Presidente, a Camara retoma a administração de que foi esbulhada por um acto de força e criminosamente, em dezanove de Fevereiro do corrente ano, pelo que, devendo considerar como boa e aprovada a acta da sua constituição em dois de Janeiro do corrente ano, prossegue nos seus trabalhos. – Que a Camara ao reunir-se em dois de Janeiro, o que fez por direito proprio, nos termos legais, e em vista da comunicação feita pela assembleia de aporamento geral das eleições, realizadas em novembro de mil novecentos e vinte e dois, em que foram proclamados como vereadores eleitos. – Que pelo senhor Presidente da Comissão Executiva lhe foi solicitado em meados de Fevereiro a convocação extraordinaria da Camara, convocação que fez para o dia dezanove de fevereiro, não tendo porem podido efectuar-se essa reunião nos Paços do Concelho, por estarem as entradas para a sala de sessões, secretaria e mais dependencias  da Camara, guardadas pela força armada, com o fim de impedir a entrada aos membros da Camara, pelo que tiveram de se reunir fora dos Paços do Concelho, afim de conhecerem dos factos para que fora solicitada a convocação: – E tendo-se realizado a referida sessão, dela se lavrou a acta que vai mandar ler e submeter á discussão e votação da Camara.».

De facto, esta vereação eleita, depois de lhe ter sido vedada a entrada no edifício dos Paços do Concelho, acaba por reunir numa casa de José Antunes dos Santo na rua Alfredo da Costa, naquele dia de 19 de Fevereiro. Ou seja, acontecem duas reuniões de Câmara em simultâneo, uma pelos eleitos recentes e sob a presidência de Virgílio Horta, e outra pelos membros da Câmara anterior e sob a presidência de José Bento Costa por convocatória do Administrador do Concelho. Inédito ou, no mínimo, insólito…

Nessa reunião em casa de José Antunes dos Santos, é deliberado que seriam «nulos todos os actos e deliberações tomadas pela pseudocamara nomeada por quem em absoluto carece de competencia para essa nomeação. Nós, vereadores eleitos pelos cidadãos eleitores do concelho, para a gerencia e administração municipal, estamos impossibilitados de nos desempenhar-mos do nosso mandato, exercendo a administração dos bens e serviços municipais, pelo uso da força armada, criminosamente empregada contra o legitimo exercicio do nosso direito.».


A Câmara fecha o ano com um saldo positivo de 50 contos.
Leal da Câmara instala-se na sua casa da Rinchoa, onde virá a presidir a uma Comissão de Melhoramentos que virá a edificar a Escola Primária, e que vale o epíteto de “Estado Livre da Rinchoa”.
Construção da Adega Visconde de Salreu, sob projecto de Norte Júnior


1924


Realiza-se o  documentário Aspectos Coloridos de Sintra (Castello Lopes)
Demolição da nave da igreja da Misericórdia


Janeiro


18- Nasce em Sintra o poeta João Apolinário


Fevereiro


7-No Teatro Garrett, actua o Jazz Band do Asilo de Cegos António Feliciano Castilho, numa récita promovida pelo grupo dramático Os Novos Velhos.

Março
9- O jornal O Despertar noticia que na Colónia Agrícola Penal está um touro holandês que os locais podem aproveitar para acasalar com as suas vacas e assim melhorar a raça…

9-Comício do Partido Republicano Radical em Sintra, sendo orador o coronel Xavier Pereira


16- Em Galamares, Eduardo Frutuoso Gaio promove uma homenagem de 60 talheres ao grande amigo daquela localidade Joaquim Lopes Rodrigues.
Ainda em Galamares, continuam as récitas regulares do Teatro Monserrate (Salão).

Sobre o mesmo teatro e sua actividade, escrevia o “Ecco Artistico em Dezembro de 1924:

 “Todos os que frequentam a pitoresca villa de Cintra conhecem o verdejante logarejo de Gallamares, na estrada nova de Collares.Situado entre quintas e prados floridos, a sua disposição é lindíssima, apresentando toda esta região um aspecto rústico e cheio de frescura, que caracteriza o nosso campo.

Pois n’esta pequenina aldeia,semi escondida entre arvoredos, existe um theatro há pouco construído,digno de ser anotado nas colunas do Ecco(….).A ideia da construção do theatro data de 1916.O Sr Guilherme Oram, intelligente administrador das propriedades do Visconde de Monserrate é a alma d’esta iniciativa artística. Grande amante de tudo o que se relacione com o theatro, já há muitos annos que nas épocas das ferias da escola de Monserrate organisava recitas no salão d’essa escola, recitas em que se representavam comedias mais ou menos applaudidas. D’essas noites bem passadas veio a verdadeira origem da construcção d’um pequeno theatro  onde se podessem entreter as principaes famílias d’aquelles sítios,aliando-lhe o sympatico fim de tirar os operários das vias do jogo e da taberna, por isso que lhes proporcionava um passatempo agradável, pois Guilherme Oram pensou e pensa em organizar um orpheon para aquella gente humilde e trabalhadora poder cantar os cânticos das nossas províncias, as quadras nascidas na alma triste e romântica do nosso povo.

O theatro em pouco tempo appareceu, tendo trabalhado n’elle com raro denodo os operários de Monserrate, sob a direcção de Guilherme Oram.Antonio Graça, mestre dos pintores da casa Monserrate,pintou os panneaux da salla e o panno de boca. Infelizmente, este artista morreu pouco tempo depois da inauguração do theatro. Os restantes scenarios teem sido pintados por Júlio Fonseca e Garibaldi Martins, que teem demonstrado muita habilidade e fino gosto.

O sr.Oram, com o seu ideal artístico assim realizado, tem organizado recitas muito interessantes, e já neste theatro deu um recital de piano o pianista Vianna da Motta.

O verão passado fomos pela primeira vez ao theatro Monserrate, em uma noite em que se representou uma revista em 2 actos e 3 quadros, intitulada Sem pés nem cabeça, crítica engraçada aos costumes e pessoas conhecidas de Cintra, original de José Teixeira. Este novel escriptor soube produzir uma revista cheia de ditos engraçados e de profunda crítica, sem nunca usar d’um termo picante, obsceno, caso raro entre nós!

Todos os amadores representaram com distinção, tendo havido números muito bem cantados; no entanto, devemos destacar D.Lily Pereira Teixeira, D.Delfina Domingues, D.Umbelina Silva, D. Amália Cardoso, José Teixeira, Francisco Cardoso e Urbano James.

Os compéres foram Guilherme Oram e Eduardo Fructuoso,que mais pareciam artistas feitos do que simples amadores.

A sra D.Maria do Carmo Cunha Fructuoso acompanhou no piano todos os trechos da revista, com a maxima correcção.

Do guarda roupa,que era luxuoso,encarregou-se a Exma Sra D.Maria Oram.

O theatro,que tinha uma enchente,representada pelas principaes famílias que estavam em Cintra,em Collares e na Praia,applaudiram com enthusiasmo, havendo muitas chamadas especiaes aos principaes interpretes, aos srs Oram e José Teixeira.

Para este inverno e futuro verão já se preparam outras recitas”


22- Eusébio Duarte Ribeiro nomeado administrador do concelho


Julho
1-O ministro da Justiça, José Domingos dos Santos, visita Sintra, onde profere uma palestra.


Agosto
2- Inauguração do Casino. Iniciativa da Sociedade de Turismo de Sintra Lda, de Adriano Júlio Coelho, é projecto de Norte Júnior, construído por Júlio da Fonseca, com azulejos de Alves de Sá e óleos de Benvindo Seia.  A bailarina que encima a fachada central é projecto de José da Fonseca. A baixela é adquirida na Bélgica e o chefe de cozinha, M. Basset

Na inauguração actuam um sexteto dirigido pelo concertista Francisco Benetó, a cantora espanhola Tina de Jarque(foto abaixo) e Les Demos, bailarinos franceses

O Palácio da Ribafria é pertença do capitão Alfredo da Silva.


24- O Presidente da República, Teixeira Gomes, lança a primeira pedra do novo hospital, nas Murtas, projecto de Torcato Pardal Monteiro. Por essa altura passa uns dias de férias no Chalé da Condessa, no Parque da Pena.

28-Sai a Gazeta Sportiva dirigida por Emílio Simões Raposo



Setembro
7- Sai o primeiro número de “A Semana de Sintra”, dirigido por António Pereira d’Almeida.

Funciona na Av. Francisco de Almeida, e tem como director Alfredo Pinto (Sacavém) e redactor principal Mário Travassos Valdez.(foto abaixo)

13-José Pereira Ferraz promove no cinema Garrett uma palestra a favor do Hospital da Misericórdia, contra os malefícios do alcoolismo.
Fundada a Mercearia Camarão na Praia das Maçãs.


Novembro
Inaugurada a escola de Fontanelas


Dezembro
Uma Comissão Médica sob a égide de Carlos França reúne com vista à criação em Sintra de um Corpo de Salvação Pública.
Construção do Casal do Outão, sob projecto de Raúl Lino.

Realizam-se os filmes “Sintra e os seus encantos” de Artur Costa Macedo, e Sintra, da Gaumont

Anuncia-se que no concelho de Cintra, teriam sido mordidas por cães danados 149 pessoas. Calamidade para cuja resolução a Câmara Municipal de Sintra, tomou medidas:  “Foram dadas convenientes ordens aos oficiaes de diligencias para abaterem por meio de striquinina todos animaes da raça canina que sejam encontrados na via pública sem açamo. Esta ordem é de execução permanente e não exclue os cães de guarda ou perdigueiros desde que não tragam açamo.”


1925


Em 1925 estão inscritos 2943 eleitores, distribuídos por 8 assembleias de voto, dos quais 608 em Belas, 355 em Colares e 364 em S. Martinho
Estão identificados 171 estabelecimentos industriais, sendo maioritários a hotelaria (42) panificação e doçaria (40) metalúrgica-latoaria (16)  tanoaria (11) e mármores(10, que contudo proporciona mais de 28% do emprego industrial). O sector industrial regista 972 trabalhadores.

É Fundado no Cacém o Centro Familiar e Desportivo do Cacém, no Palácio Pires Tavares


Janeiro

2-Virgílio Horta permanece na presidência, o vice-presidente continua a ser José Antunes dos Santos e o secretário José Maximino Caneira de Barros, mas o vice-secretário passou a ser José Martins da Silva Roda. Acresciam ainda os seguintes vereadores: Inácio Pereira, João António Carretas, Joaquim Correia de Freitas, Raúl da Costa Gonçalves, António Duarte da Silva e Sousa, António Homem da Costa Cabral Júnior, Augusto Alberto Sanches, Eduardo Vitorino de Morais, João Pedro da Silveira Gomes, José Vicente de Oliveira, Manuel Soares Ribeiro, Torcato Pardal Monteiro, Serafim Alves da Silva, Henrique da Silva Soares, Joaquim Isidro dos Reis, José Maria Chaves e Manuel Jordão.
8-No teatro do 1º de Dezembro, António Nascimento leva à cena a peça “20.000 dólares”.
25- A freguesia de Santa Maria é desanexada de S. Pedro, numa altura em que o Governo eleva Sintra a concelho de 1ª ordem.


Fevereiro
Abre na “Camélia“, na Vila, uma subscrição de sócios para a nova Associação de Caridade de Sintra.


Eduardo Galway vende a Quinta dos Pisões.


Março
Inaugurada a motobomba dos Bombeiros de Sintra Denahaye


Abril
3- Morre Matilde Soares Ribeiro, das queijadas Mathilde, o fabrico continua com as filhas Emília e Maria Vitória.


Maio

5-Morte de Tomé de Barros Queirós

Tomé de Barros Queiróz foi deputado, Ministro das Finanças, Ministro da Instrução Pública e Presidente do Conselho de Ministros e membro da Maçonaria. Nascido em Quintãs, Ílhavo, filho de modestos lavradores, veio muito cedo para Lisboa, começando a trabalhar aos 8 anos como caixeiro numa casa comercial. Apenas na década de 1890 conseguiu matricular-se na Escola Elementar de Comércio de Lisboa. Em 1888 tornou-se militante do Partido Republicano Português, ascendendo rapidamente a lugares cimeiros na direcção daquele partido. Envolvido nas lutas operárias, foi um dos promotores da criação da Associação dos Caixeiros Nocturnos de Lisboa, ligando-se por essa via à imprensa, sendo fundador de A Voz do Caixeiro e colaborando no periódico O Caixeiro.

Eleito em listas republicanas foi, entre 1908 e 1911, presidente da Junta de Freguesia de Santa Justa e vereador da Câmara Municipal de Lisboa. Como referido, foi ele quem proclamou a República em Sintra em 5 de Outubro de 1910.Representou Sintra na Assembleia Constituinte que elaborou a Constituição de 1911, ao ser eleito deputado por Torres Vedras nas primeiras eleições após o 5 de Outubro, pois esse círculo englobava Torres Vedras, Lourinhã, Sintra e Cascais, entre outros locais, tendo obtido 7609 votos.

Com a cisão do Partido Republicano Português após a proclamação da República Portuguesa, integrou o Partido Unionista, onde militou entre 1911 e 1919. Foi também secretário-geral e director-geral da Fazenda Pública, cargo em que foi o principal autor da reforma tributária de 1911. Como deputado por Torres Vedras, no mandato de 1911 a 1915, foi escolhido para vice-presidente da Câmara dos Deputados, apresentando então um parecer, à época considerado excepcional, sobre a Lei de Meios de 1912-1913 (o orçamento do Estado à altura).

Em 1912 iniciou-se na Maçonaria, na loja Acácia, de Lisboa, adoptando o nome simbólico de Garibaldi.

Na sequência da revolução de 14 de Maio de 1915, aceita o lugar de Ministro das Finanças, cargo que exerceu até 18 de Junho de 1916.

Mantendo-se na actividade política, já em período de degenerescência da Primeira República voltou ao Governo no período entre 24 de Maio e 30 de Agosto de 1921, como presidente do Conselho de Ministros (o título do Primeiro Ministro da época), acumulando com a sua antiga pasta das Finanças. O seu curto mandato à frente do governo português ficou marcado pela profunda crise financeira do Estado e por uma tentativa desesperada de recorrer ao crédito externo, através da contracção de um empréstimo de 50 milhões de dólares na América. Este empréstimo, anunciado como salvador pelo líder republicano Afonso Costa, acabou por não se materializar. Em 1922 foi eleito deputado pelo círculo açoriano da Horta, reingressando nesse mesmo ano pelo círculo de Lisboa, mantendo-se no parlamento até 1924. A partir de 1923 passou a militar no Partido Nacionalista. Faleceu em Lisboa a 5 de Maio de 1926, já em pleno ano final da Primeira República Portuguesa de que fora um dos fundadores.

A ligação de Tomé de Barros Queiróz a Sintra vinha já de antes do 5 de Outubro, pois aqui adquiriu um chalet na antiga avenida Alda, no final da actual Av. Heliodoro Salgado, onde tinha por vizinho Henrique Santana, pai do grande actor Vasco Santana, que contava na altura 12 anos, e vivia com uma senhora espanhola chamada D.Pepa. Sendo a casa de Barros Queiróz de 6 divisões e a de Henrique Santana de 12, e tendo Barros Queiróz 4 filhos, fizeram uma permuta de casas, instalando-se Barros Queiróz no popularmente designado “Chalet Nabo” pela forma de nabo em que terminava a cúpula aí construída precedida duma escada de caracol. Nesse local se realizaram muitas tertúlias e encontros.Em 1913, sendo Estevão de Vasconcelos Ministro do Fomento, intercedeu Barros Queiroz para o arranjo urbanístico do local onde hoje está o jardim da Correnteza.

Depois da sua morte, em Maio de 1925,a Câmara Municipal de Sintra presidida pelo então presidente da Comissão Administrativa, capitão Craveiro Lopes (futuro Presidente da República) inaugurou uma rua com o seu nome, no 5 de Outubro de 1926,cerimónia que contou com muitos vultos nacionais bem como locais, dos quais se destacavam o dr.Virgílio Horta e Eduardo Frutuoso Gaio. Uma coincidência haveria de ocorrer mais tarde durante a recuperação urbanística da Correnteza que ele em 1913 preconizara: os candeeiros de iluminação pública aí ainda hoje existentes, viriam a ser adquiridos numa loja da família Barros Queiroz no Largo de S.Domingos, em Lisboa. Pode pois dizer-se que por diversas formas, a Correnteza é a Correnteza de Barros Queiróz


10-Primeira reunião da Associação de Caridade de Sintra no quartel dos Bombeiros Voluntários de Sintra. É decidido criar o Vestiário Dr. Gregório de Almeida na R. Consiglieri Pedroso nº16. Dura juridicamente até 1973


24-Inauguração da luz eléctrIca, sendo presidente da Câmara Raúl da Costa Gonçalves


Junho
29- Criada a freguesia de Queluz, por desanexação de Belas (Dec. Lei 1790)


Julho
15- Fundação dos Bombeiros Voluntários de Belas


Agosto
3- Morre em Sintra o actor José Ricardo

Outubro

É inaugurada a bandeira e uniformizados os fardamentos do corpo ativo dos Bombeiros Voluntários de Almoçageme, que era constituído nesta altura por onze elementos, e que são estreados aquando da realização dos festejos de Nossa Senhora da Graça, celebrando-se igualmente nesta data, a chegada da iluminação elétrica a Almoçageme.


6-No Casino decorre uma récita de despedida de Alberto dos Reis.
18- Fundação da Tuna Euterpe União Penedense.


Novembro
22-Eleições reconduzem António Duarte Silva e Souza como presidente da comissão executiva da Câmara, sendo Ribeiro de Carvalho presidente do Senado Municipal. A Lista Regional, na oposição, elege Álvaro de Vasconcelos e Amílcar Barros Queirós, entre outros.
23- Sai o último número de O Regional.


A Sintra-Atlântico promove eléctricos que levavam as crianças pobres à Praia das Maçãs, onde, com os professores, e depois de inspeccionadas por médicos como Nunes Claro, António Soares, Desidério Cambournac e Brandão de Vasconcelos, entre outros, fazem tratamentos marítimos.
Para tais curas, a Câmara de Sintra disponibiliza junto com a recém criada Associação de Caridade de Sintra, “três toldos de três metros por dois de lado, num total de 1.273$00″, pretendendo-se “o revigoramento da raça”, sendo tais passeios um” remédioministrado a seres raquíticos, linfáticos, adenísticos, tão precisados de ar marítimo, banhos de mar e de sol”.
Os tratamentos prolongar-se-ão até ao fim dos anos 50, e na sua génese estiveram os médicos Pereira Ferraz e Carlos França, que em 1924 preconizou um corpo sanitário para Colares, integrado nos Bombeiros, e providenciou mesmo a construção dum chassis, em 1928 baptizado de “Caridade” e que foi a primeira ambulância dos Bombeiros de Almoçageme.

Praia das Maçãs, quadro de José Malhoa

Gregório Casimiro Ribeiro decide construir uma pousada em forma de castelo, “rivalizando” assim com o Castelo dos Mouros e o Palácio da Pena nos montes seguintes da Serra, para de certa forma o “dar” aos visitantes de Sintra, hoje conhecido como Castelo do Monte Sereno.


1926


Janeiro

2- O Presidente da Câmara é Joaquim Ribeiro de Carvalho, escritor, jornalista e político de renome, um dos implicados na revolução de 5 de Outubro de 1910 e que esteve na varanda da Câmara Municipal de Lisboa proclamando o sucesso da Implantação da República. Era dono da formosa Quinta da Bela Vista, no Cacém, onde passava largas temporadas e ali chegou a refugiar-se e a albergar amigos perseguidos em várias ocasiões. Director e, depois, proprietário do mais emblemático jornal da época, A República, que dirige até à data da sua morte, ocorrida em 1942.

Como vice-presidente surge João de Pinto e Cruz, secretário Baptista António Simões e vice-secretário João Lopes Coelho. Mais os seguintes vereadores: Francisco José de Barros Júnior, António Duarte da Silva e Sousa, Manuel Vilela Fernandes de Barros, Augusto Alberto Sanches, António Duarte da Costa Reis, Joaquim Marques, José dos Santos Coelho, Guilherme Joaquim da Mata, Eduardo Nunes Frutuoso Gaio, Luís Augusto de Sousa e Bento, Raul da Costa Gonçalves, Virgílio Horta e João António Carretas.

3- Primeiro concerto do Orpheon de Sintra, no Casino.Dirigido pelo maestro Luís Silveira e Mário Duarte, aí passam artistas líricos da época, como a cantora Vix.

Fevereiro

25- Um avião AVRO 7, despenha-se perto das Lameiras quando se preparava para aterrar na pista da Escola de Aviação militar, instalada na Granja do Marquês. Falecem os dois tripulantes, tenente miliciano aviador, Amílcar Alvarenga, e alferes médico José de Azevedo Reis. O avião com motor de 110 cavalos, era utilizado nos voos de instrução da escola.

Março
7-Inauguração do Grémio Garrett com a comédia “O Conde Barão”

Abril

17- Ante-estreia no Casino do filme de Artur Costa de Macedo O Bicho da Serra de Sintra, Sociedade de Turismo de Sintra

Artur Costa de Macedo, nascido em S.Tomé em 1894, foi levado para o cinema por Manuel Maria da Costa Veiga, que, tendo-o conhecido como garagista na Garagem Auto-Palace, na Av. Alexandre Herculano, em Lisboa, o levou para a Lusitania Filmes. Em 1921 passou para a Invicta Film, no Porto e em 1923 passou pela Pátria Filmes. Desbaratou parte das suas poupanças como produtor de O Diabo em Lisboa, de Rino Lupo, de quem foi operador de câmara em algumas das suas obras mais conhecidas, como As Mulheres da Beira e Os Lobos. De 1940 a 1947 foi para o Brasil, e ao voltar, trabalhou com António Lopes Ribeiro, dedicando-se essencialmente à fotografia. Morreu em 27 de Março de 1966.

Durante a sua carreira vários foram os filmes tendo Sintra como fundo ou centro da acção que produziu, realizou ou fotografou, de que se destaca O Bicho da Serra de Sintra, por si realizado em 1926.Originalíssima comédia, à maneira de Pirandello, inspirada em “fait-divers” a que os jornais deram foros de sensação e mistério, O Bicho da Serra de Sintra teve patrocínio do capitalista sintrense Adriano Júlio Coelho, o construtor do Casino, e interpretação de Amílcar de Sousa, Artur Costa de Macedo, Hogan Teves e Betty Oliver, entre outros, e argumento de João de Sousa Fonseca, tendo tido estreia com sucesso no Cinema Condes, em Lisboa, em Outubro de 1926 e ante-estreia no Casino de Sintra em 17 de Abril desse ano.

28- O Sintra Regional, dirigido por Alfredo Leal, substitui o Semana de Sintra. Dura até 6 de Agosto de 1933.

29- Sai o primeiro número do jornal Cynthia, dirigido por Mário Travassos Valdez, com Mário Duarte como redactor principal.


Maio
6-Visita a Sintra de uma delegação do Comité Olímpico Internacional

16-Baile da Tuna Euterpe União Penedense no Salão de Galamares 

Em 28 de Maio de 1926, tropas e metralhadoras vindas de Mafra dirigiram-se para a Granja do Marquês, para a Escola de aviação, em apoio ao movimento, bem como para Sintra, assustando as populações, tendo alguns escapado para a Praia das Maçãs. As tropas da Escola de Aplicação de Infantaria, com os oficiais do Depósito de Remonta, marcharam sobre Sintra a reunir com a aviação, tendo o comandante das forças revoltosas de Sintra, coronel Oliveira Gomes feito uma proclamação em nome do movimento revolucionário que o general Gomes da Costa iniciara em Braga. Na Granja do Marquês juntaram-se 6 aviões Vicher’s e 1500 homens da Escola de aviação, do grupo de esquadrilhas da Amadora, Grupo de Metralhadoras Pesadas e da infantaria de Mafra. Quatrocentos marinheiros que os iam enfrentar em Mafra bateram em retirada. Entretanto, no dia 30, chegam a Sintra 250 praças vindas da Granja para se dirigirem ao posto de comando de Gomes da Costa na Amadora, pelo caminho juntaram-se mais 300 no Algueirão, comandados pelo tenente Pires da Silva.

A companhia de teatro Nova Aurora de Júlio Giblote actua em Mem Martins
30-A luz eléctrica chega à Praia das Maçãs

Almoço no Casino de homenagem a Teixeira Lopes

O capitão aviador Belmiro Vieira Fernandes é administrador do concelho

Junho

20-O capitão Craveiro Lopes é nomeado Presidente da Câmara Municipal de Sintra

Julho
Após o 28 de Maio, é reposta a censura na imprensa e dissolvida a Câmara Municipal de Sintra.

Comissão Administrativa: José Roda, cap. Craveiro Lopes, António Aiala, Luís Sousa Brito, cap. Mário Pimentel, Salvador Sá Nogueira, Mário Duarte


17- Falece o médico e bacteriologista dr. Carlos França.

Agosto


1-Inauguração da sede da Sociedade Recreativa e Musical de Almoçageme


Setembro


17- A conhecida artista e tonadillera Aurora Jaufrett, La Goya, actua no Teatro Garrett, em Sintra.

Outubro
5- Inaugurada a rua Tomé de Barros Queirós, em homenagem a esse vulto, falecido em 5 de Maio desse ano.


Novembro
13- Homenagem no Casino de Sintra ao director do Orpheon, Luís Silveira
A companhia Ester Leão-Gil Ferreira actua no Teatro Garrett.
Depois do 28 de Maio muitas vozes são silenciadas, tendo os afectos à Lista Regional transitado em grande parte para a União Nacional. Mas a partir daí as eleições deixam de ser democráticas e o poder local esmorece. Relevo nesse período de 1910-26 para a actividade da loja maçónica Luz do Sol, de que era venerável o “médico dos pobres”, Gregório de Almeida, e a que pertenceram Virgílio Horta e José Alfredo Costa Azevedo.

Durante o ano a imprensa refere-se com frequência ao crime do Casal da Mata, perto do Telhal:o assassínio em Março de Augusto Berto e sua mãe, Damiana Ana, a golpes de machado. Um tal Manuel Barriga foi preso e condenado pelo crime, tendo morrido na prisão.

Cenas do julgamento do Crime do Casal da Mata. Na primeira foto, a esposa do assassino, Manuel Barriga


O Conde de Sucena adquire o Palácio de Seteais a D. Antónia de Mendonça e Melo e marido, José de Melo, logo hipotecado a Mário Godinho de Campos
Gonçalves Correia, anarquista-naturista, funda a Comuna Clarão, em Albarraque

Realizam-se os filmes Actualidades de Sintra (3 filmes) de Artur Costa Macedo, promoção da Sociedade de Turismo de Sintra, e Reportagem Cinegráfica de A.C. Macedo em Sintra

RECOLHA DE FERNANDO MORAIS GOMES

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3 thoughts on “Cronologia de Sintra- A I República (1911-1926)”

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