Decorreu a festa do centenário de “Os Aliados”

Decorreu a festa do centenário da Sociedade Filarmónica Os Aliados, festa a que a Alagamares se associou, atento até o recente protocolo de colaboração celebrado entre ambas as associações, tendo nessa ocasião a par de um concerto e da homenagem a alguns filarmónicos sido entregue a medalha de mérito municipal grau ouro e descerrada uma lápide comemorativa.

O vice presidente da CMS Bruno parreira e a presidente da Direção da SFA Filipa Couto descerram a lápide comemorativa

Fundada em 12 de Junho de 1922, sedeada no Largo dos Aliados em S. Pedro de Penaferrim, Sintra, local que pertenceu à Freguesia de Santa Maria e S. Miguel até 1985, o nascimento desta sociedade deveu-se a uma cisão entre os filarmónicos da Sociedade União 1.° de Dezembro. Dessa cisão, constituíram-se dois grupos. Um, procurava a continuidade da banda, (a qual, segundo jornais da época, durou até 1928), enquanto o outro, determinado a abandoná-la, criou uma nova banda no bairro de S. Pedro. Embora ainda sem sede, ensaiavam onde podiam, com predominância nas residências de Alfredo de Oliveira e Silva e de Olímpio Chalanca, embora também e durante algum tempo, numa dependência da “taberna” de Joaquim Gomes dos Santos, também conhecido por “Joaquim Galego”, na Cova da Onça (Calçada de S. Pedro), local situado muito próximo da atual sede. Durante os primeiros anos de vida, sem sede própria, a banda ensaiava onde podia, ou onde lhe facultavam um espaço, que é como quem diz, hoje aqui, amanhã acolá e nestas andanças, com a casa às costas, passou a ser conhecida por “banda dos caracóis”.

Apesar das várias adversidades, com teimosia e tenacidade, determinados a construírem a sua sede, organizavam vários festejos populares e concertos, estes, no antigo Cinema Garrett (atualmente sede da Sociedade União Sintrense), na Rua Maria Eugenia Navarro, também esta Sociedade localizada a escassos 1500 metros do Largo dos Aliados, com maior incidência no período de Inverno.

Durante o Verão organizavam as suas festas, com o mesmo objetivo e determinação, na “Quinta D. Dinis” localizada próximo do Largo da Feira de S. Pedro, propriedade do Senhor Soares Ribeiro.

Em 29 de Junho de 1924, foi apresentada oficialmente, a toda a população de S. Pedro, a sua bandeira, tendo sido para o efeito, realizado um concerto musical, no coreto existente, na altura, no Largo da Feira de S. Pedro, junto à atual peixaria do “Pescadinha”.

Em 7 de Junho de mil novecentos e vinte e três (1923), a Direção da Sociedade propõe em Assembleia-Geral, a aquisição do terreno onde hoje se encontra instalada a sua sede. O terreno foi adquirido pela quantia de dois mil e quinhentos escudos, ao seu proprietário, senhor Manuel Constantino Jorge, conforme consta na acta lavrada em Assembleia Geral de 4 de Fevereiro de mil novecentos e vinte e quatro (1924), devidamente assinada por todos os sócios presentes. É de realçar que no período de 12 de Junho de 1924 estavam registados no livro de inscrição de sócios, um total de quatrocentos e setenta e dois. Foi deste grupo de associados que se constituíram várias comissões (quermesse, bufete, auxiliar da Direção), destinadas a trabalhar na organização dos festejos populares, com o objetivo de angariar donativos e outros fundos para a construção da sua sede e a manutenção da banda de música.

Finalmente, no dia 25 de Dezembro de mil novecentos e vinte e cinco (1925), após abnegados esforços de todos os envolvidos, a Sociedade Filarmónica “Os Aliados”, abriu as portas aos seus associados e à população em geral.

Foi e será sempre o objetivo dos corpos gerentes da “Sociedade”, ter orgulho na sua sede e na sua banda de música. As Direções, ao longo da história da coletividade, tem dado prestimoso apoio à banda de música, à escola de música e à manutenção da sua sede, sempre com o propósito de bem servir os seus associados, para melhor levar a efeito a realização dos seus eventos culturais e lúdicos, tais como concertos musicais, bailes, teatro, noites de Fado ou ensino de música

A Banda de Música é sem dúvida “a galinha dos ovos de ouro” da Sociedade, assim como a Escola de Música. O famoso baile da Rainha, ao qual, pela primeira vez, se faz referência no jornal “Semana de Sintra” datado de 21 de Fevereiro de 1926, tem resistido, realizando-se sem interrupção até à atualidade, bem como o tradicional desfile carnavalesco, também com início no mesmo ano. Estas são, sem dúvida, as atividades que mais se destacam na vasta lista de organização de eventos, anualmente levada a efeito.

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