Dois poemas de Ofélia Cabaço

Manhã Outonal,

Um sossego ancestral,

Apenas o gorjeio d´uma ave

Vindo de muito longe, sinal

D´esperança na Terra que nos gerou,

De joelhos, coração palpitante, oro,

…bendito seja o luar, bendito brilho

D´onde é mais terna a felicidade,

Fonte d´amor e esperança…,

Um dia…,

Molhos de flores perfumadas

Cairão a nossos pés;

Depois de impelidos por um medo

Da vida extinta e fugidia…

As árvores, resilientes e sofridas,

Renovar-se-ão com verdejante folhagem,

Nos rios (…),

Um dia…,

Lírios, camomilas e alecrim

Renascerão em suas margens, ordem

No universo, afugentados os presságios,

As gentes, ó brava gente! felizes,

Com outonos coloridos,

Sumo de romã em suas bocas,

Consolo fervente nos corações, 

Tempo Azul de esperança

O isolamento cansa,

Um dia…

Sorrisos e abraços exultam saudações

Os dias passados, caídos,

Como frio e orvalho esquecidos!

Outubro, 2020

Obs.: tempo de vírus

Meditativa Japoneira,

Uma cantoria obscura,

Nesta noite de chuva muita

Cativa na minha rua escura,

A chuva e o vento, caídas camélias…

Como hóstias na envolvente neblina;

Ao que me permitam,

Como o vento, sou alma livre,

Nem ruídos nem larvas me importam,

Com a tua mão na minha,

Nas madrugadas…,

E o palpitar dos noturnos movimentos

Vividos como beijos vaporosos…

2020-Novembro

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