O que foi 2014 e que esperar em 2015- Depoimentos

No plano da Cultura, sempre no fio da navalha, em 2014 tivemos a saga dos quadros de Miró e o adiamento de grandes projectos, como a abertura do Museu dos Coches ou a regulamentação da Lei do Cinema. Carlos do Carmo recebeu um Grammy Latino, Sophia foi trasladada para o Panteão, e deixaram-nos grandes nomes como Claudio Abbado, Pete Seeger, John Philip Seymor, Paco de Lucia, Alain Resnais, Gabriel Garcia Marquez, Vasco Graça Moura, Charlie Haden, Paul Mazursky, Nadine Gordimer, Loreen Maazel, João Ubaldo Ribeiro, Robin Williams ou Lauren Bacall. Em Sintra, destaque para a abertura do MU.SA, os colóquios sobre Raúl Lino, ou o IV Encontro de História de Sintra, promovido pela Alagamares, em ano de evocação dos 500 anos do foral manuelino.

Em 2015 passarão 800 anos da assinatura da Magna Carta por João Sem Terra, 600 da conquista de Ceuta e da morte de D. Filipa de Lencastre, 500 da morte de Afonso de Albuquerque, 200 da batalha de Waterloo, 150 do fim da guerra civil americana e do assassinato de Abraham Lincoln, 100 anos da edição do primeiro numero do Orpheu, e do nascimento de personalidades como Edith Piaf, Anthony Quinn, Orson Welles, Mario Monicelli, Ingrid Bergman, Frank Sinatra, Arthur Miller, Saul Below, Roland Barthes, e o centenário da morte de Ramalho Ortigão. Igualmente 50 anos do desaparecimento de Winston Churchill, T.S.Elliot, Malcolm X, Nat King Cole, Le Corbusier ou Albert Schweitzer, bem como do assassínio do general Humberto Delgado. Destaque ainda para os 40 anos das independências em 1975 de Moçambique (25 de Junho) Cabo Verde (5 de Julho) S. Tomé e Príncipe (12 de Julho) e Angola (11 de Novembro)

Em Sintra, de assinalar os 90 anos da criação da freguesia de Queluz, os 80 da morte de mestre Artur Anjos Teixeira, os 70 da construção do Cine-Teatro Carlos Manuel, os 60 da inauguração do Hotel de Seteais, os 40 da inumação de Ferreira de Castro na Serra de Sintra e, sobretudo, os 20 anos da elevação de Sintra a Património da Humanidade, e da fundação do Real Massamá.

No dealbar de mais um ano e na entrada de 2015, pedimos a colaboradores e amigos, bem como a diversos actores da sociedade civil que nos transmitissem as suas expectativas para o ano que aí vem. Seguem os depoimentos já recolhidos, que calorosamente agradecemos:

MIGUEL REAL, escritor e ensaísta

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2014 constituiu o ano de arrancada do deserto cultural que a antiga direcção camarária tinha deixado.

Neste sentido, recuperou-se algum silêncio a que o teatro estivera condenado em Sintra e exploraram-se novos produtos estéticos dirigidos ao público concelhio e não só (por exemplo, o MU.SA).

Entrosou-se com maior dinamismo a vertente da ligação entre cultura e entretenimento  (aproveitamento do Parque da Liberdade).

Resgatou-se a memória sintrense de Raul Lino (três colóquios).

A Alagamares manifestou-se, nas suas actividades plurais, como a mais forte associação civil de Sintra dedicada ao Património e à Cultura.

João Cachado e o “Jornal de Sintra” continuaram a sua louvável campanha de aplicação de princípios éticos universais ao urbanismo sintrense.

2015 será o ano da continuação, mas sobretudo o ano de grandes novidades para Sintra, como o debate em torno do teleférico e da “Cidade Sonae” deixam entender.”

VIDA DE BAIRRO

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Pertencemos a um pequeno projeto que tenta divulgar um pouco de Sintra, com outros olhos, o Vida de Bairro, que infelizmente apenas conseguimos realizar quando temos algum tempo livre, já que realizamos esta atividade como hobbie.
No que respeita à atividade cultural em Sintra, no ano de 2014 assistiu-se a algumas melhorias, no entanto ainda é muito pouco, atendendo à população existente no Concelho.
A Câmara de Sintra e outras entidades que se dedicam à atividade cultural, ainda não conseguiram chegar à população sintrense, que continua na sua larga maioria a procurar atividades culturais fora do Concelho, talvez porque por um lado a atividade cultural é muito pontual, sem grande consistência e por outro porque está pouco direccionada para os mais jovens, faltam mais ações ao nível da música, concertos, fotografia, arte de rua, ilustração, entre outras, a cultura em geral em Sintra está muito direccionada para uma população mais velha, basta ver a programação anual e os grandes eventos promovidos pela Câmara.
No que respeita à defesa do património, deveria haver maior divulgação e sensibilização para o património em risco, para dar a conhecer ao publico que muitas vezes desconhece os casos existentes.
JOÃO AFONSO AGUIAR, jurista, secretário da Direcção da Alagamares
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A Cultura não é de um tempo, é de todo o tempo. A Cultura – por ser de sempre e para sempre nos seres humanos – é o principal corolário da Humanidade. Consequentemente, não é a mudança legal de um ano civil que alterará o estado da Cultura ou que será o pronuncio de algo diferente.
A Cultura é de todos e está em todos, e por essa razão é Fraterna, pois não existiria sem a humildade da aprendizagem, a coragem da criação e a generosidade da partilha.
A expressão mais forte dessa generosidade é o associativismo cultural, que, com labor inspirado em Prometeu, tudo tem feito para manter a luz em tempos de obscurantismo e de anti-Cultura, onde prevalece a ganância, o egoísmo e o individualismo.
A Humanidade poderá nunca ser perfeita mas terá sempre a Esperança. Termino com a Esperança expressa nas palavras de Fernando Pessoa:
“(…)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro…É a Hora!Valete, Fratres”
RUI OLIVEIRA, autor de temas de História Local
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O ano de 2014 foi, do ponto de vista cultural em Sintra, um ano de “viragem” pela positiva. O melhor e expressivo exemplo, no concelho, é o nascimento do MU.SA Museu de Artes de Sintra. Outro exemplo, também significativo, a realização do Encontro de História de Sintra, desta feita por uma associação em crescendo a Alagamares. Outro aspeto, que reputo de importante quer a nível do concelho como até ao nível internacional, foi a edição do número dois da Revista Tritão vocacionada para os aspetos Históricos e Patrimoniais de Sintra mas não só.
Estes factos são reveladores de um “esforço” de equilíbrio, reabilitação, e potenciação dos valores culturais e patrimoniais sintrenses, transversais a todas as comunidades, por parte das autarquias, de algumas coletividades e munícipes. Temos, portanto, boas pistas para acreditar que tal esforço se vá intensificar em 2015, congregando cada vez mais as diferentes comunidades sintrenses em prole do grande concelho que afinal nós somos.

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Parecemos condenados a viver no impasse. Em artigo de opinião publicado no jornal Público, em outubro, António Pinto Ribeiro falava, precisamente, do impasse como “um modo de governação que age em múltiplos patamares de decisão – se decisão não fosse, aqui, um termo contraditório… – e opera por inibição ou por desleixo.” Continuamos sem conseguir entender, por completo, que orientação política (na área da cultura) se pretende que norteie Sintra. A política cultural – e não só aquela que terá sido promovida pela autarquia – parece ter sido a da concentração de ofertas no centro do município – nas freguesias de Santa Maria, S. Miguel, S. Pedro de Penaferrim, pensando, acima de tudo no turismo e nos “resultados” imediatos – esquecendo, quase por completo, a descentralização de iniciativas culturais que poderiam/deveriam ser alargadas a todo o restante território do concelho e não assumindo riscos – a arte como acessório turístico é coisa tão pouco interessante. No entanto, ficamos sem perceber se a aposta se centra apenas na atração do turista (cada vez mais, estrangeiro) e na dinamização de eventos (sem uma real estratégia de sustentabilidade e sem marcar a diferença relativamente a tudo o resto que se faz fora de Lisboa) no Centro Histórico (quase exclusivamente em sítios e monumentos históricos e no Centro Cultural Olga Cadaval) ou se essa é apenas uma parte daquilo que realmente se pretende desenvolver. Então e o resto do concelho? E os sintrenses? E a criação de uma eficaz rede de colaboração entre diferentes agentes locais? E o estabelecimento de pontes de diálogo entre as diversas entidades promotoras de cultura em Sintra – associações, empresas, câmara municipal, juntas de freguesia… o público, as pessoas? E a exportação (para fora do concelho) de uma imagem de Sintra como centro irradiador de cultura, capaz de produzir alguns dos mais interessantes objetos artísticos (teatro, música, artes plásticas etc.) em Portugal? Esse trabalho será ainda feito e a política cultural será (re)alinhada (também) para outros objetivos – se forem/houverem, efetivamente, outros os objetivos dos diferentes agentes culturais sintrenses. São? Ou é só isto? Ou permanecemos neste impasse?

PEDRO MACIEIRA, autor do blogue “Rio das Maças” e activista de causas cívicas

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Respondendo à solicitação de um balanço sobre os aspectos culturais, no ano que agora está a terminar, e limitando-me em alguns aspectos  que mais directamente  acompanhei, destacava pela negativa o encerramento do Museu do Brinquedo, na Vila Velha, o abate da Tília pela PSML no Palácio da Vila, o conjunto de podas agressivas e abates de árvores ornamentais efectuadas tanto pela CMS, como pelas Estradas de Portugal.
Registo também pela negativa a proliferação de locais de venda de “souvenirs”, e a falta de estacionamento e o caos provocado pelas multidões de turistas, principalmente durante os fins de semana e os meses de Verão em Sintra e especialmente na Vila Velha.
Destaco também a indiferença como foi aceite o crime paisagístico e ambiental da torre metálica de 50 metros junto ao Farol do Cabo das Roca, instalada em Agosto de 2013 pelo MAI.
Pela positiva a intervenção da PSML em várias áreas (gestão, recuperação e animação cultural dos vários espaços e monumentos a seu cargo), na blogosfera, o aparecimento de vários blogs e páginas nas redes sociais com a temática sintrense. O aniversário dos 50 anos do mítico “conjunto”  sintrense, Diamantes Negros, comemorado condignamente num grande concerto no C.C.  Olga Cadaval.
Uma referência à resistência pela sobrevivência do Jornal de Sintra, que além da grave crise que atravessa tem conseguido manter as suas edições regularmente.
Outro balanço mais alargado dos aspectos culturais de 2014, terá de ser feito com mais tempo numa análise mais cuidada.

NUNO MIGUEL GASPAR, historiador de arte

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No rescaldo do ano que ora termina, apraz referir o assinalável sucesso que revestiu a realização do “Colóquio Nacional sobre Raul Lino em Sintra”, e a escolha (pelo segundo ano consecutivo) da Parques de Sintra – Monte da Lua, como melhor empresa de conservação do mundo. Tais exemplos, são provas de que ainda vai subsistindo, em Portugal, – e, designadamente, em Sintra – uma cultura; para além da “cultura da crise”, bem entendido.

Seria importante que, no ano que entra (como nos subsequentes), todos os agentes responsáveis pela promoção cultural e patrimonial, soubessem pôr de lado as divergências e congregar esforços, com o propósito de estabelecer na sociedade portuguesa uma consciência identitária forte e duradoura, reforçando em cada individuo o espírito de pertença e o estímulo activista; em ordem à sua preservação e valorização.

FERNANDO CASTELO, activista de questões cidadãs

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Não serei a pessoa vocacionada para análises sobre cultura. No entanto, não integrando o núcleo que desfruta de espectáculos ou acessos gratuitos a ofertas culturais em que outros suportam altos preços, sinto-me moralmente bem para umas opiniões.
Começou bem 2014 quando a CMSintra criou o MUSA, mostrando a sua Colecção de  Arte, na qual foi dignamente honrada Dorita de Castel Branco. Foi uma decisão do maior nível Cultural com baixos custos,  quando cenários muito onerosos eram pressionados.

 
 Dois factos negativos a salientar:
– A CM não ter reclamado dos elevados preços, limitativos do acesso à Cultura, exigidos nos Palácios e Parques geridos pela PSML;
– Ao acabar do Ano, o insólito atentado ao património na frontaria do Hotel Central, sem se saber a posição do Presidente da Câmara sobre tal. 
Por fim, como Sintra não é reserva de privilégios, votos de que em 2015 as gratuitidades Culturais sejam exclusivamente repartidas pelas Freguesias, aproximando os Munícipes da Vida Cultural do Concelho.
RENATO EPIFÂNIO, presidente do Movimento Internacional Lusófono e director da revista Nova Águia
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Apesar da NOVA ÁGUIA (novaaguia.blogspot.pt) ser uma revista para todo o mundo lusófono (só neste ano de 2014 foi apresentada no Museu de Língua Portuguesa, em São Paulo, e na Universidade de Cabo Verde, na Cidade da Praia), ela não deixa de ser uma revista de Sintra – não apenas por aqui viverem dois dos seus directores (Renato Epifânio e Miguel Real), como, sobretudo, por via da nossa Editora, a Zéfiro, estar cá sediada, na Casa do Fauno (casadofauno.wordpress.com), muito perto da Quinta da Regaleira.
Em 2015, a NOVA ÁGUIA prosseguirá o seu voo de Sintra para o Mundo: no primeiro semestre, lançaremos o nosso 15º número, sobre os 100 Anos do “Orpheu” e da “Arte de Ser Português”; no segundo semestre, chegará o 16º número, que terá como figura de destaque Sampaio Bruno: “fundador da filosofia portuguesa”, no qualificado dizer de Álvaro Ribeiro. Isto para além de outros títulos da Colecção NOVA ÁGUIA que poderá consultar aqui: http://www.zefiro.pt/catalogo_novaaguia_net.htm
CARLOS VARGAS, jornalista
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Vencidos, nunca ! E convencidos, muito menos ! 
Apesar dos pesares 2015 irá ser um ano menos negativo para o colectivo português. 
A nossa Casa Comum, que nos últimos anos se tornou áspera como uma folha de lixa, irá distender-se com a necessária mudança do ciclo político. 
2015 não será ainda o ano da retoma económica. Mas será o ano da retoma da nossa confiança e auto-estima enquanto portugueses, o que é certamente mais importante.
RUI MÁRIO, actor e encenador
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 Nunca vencidos da Vida! A Luta continua, cada dia, cada ano! Abraço Amigo!
CARLOS MANIQUE DA SILVA, historiador
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 A única coisa que tenho a dizer relativamente à área da cultura prende-se com a Casa de Francisco Costa. É lamentável que aquele espaço esteja em franca degradação e que não seja aproveitado para qualquer equipamento cultural. De resto, tinha todo o sentido que o espólio do escritor ficasse nesse espaço! Bom Ano.
JOÃO CACHADO, professor e activista de causas cívicas
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Em relação a 2014, de saudar a iniciativa do MU.SA, manifestamente, em fase de difícil arranque, com falta de visitantes, numa certa letargia. No Casino, edifício a necessitar de obras importantes, houve lugar ao recente e arejado Festival de Poesia, que tem pernas para continuar com alguns ajustamentos.

Periferias, promovido por Chão de Oliva, um sucesso com a cara de João de Mello Alvim. Festival de Música de Sintra, ainda muito aquém da mobilização que deve concitar. Sucessos inequívocos no Encontro de História de Sintra, promovido pela Alagamares e Colóquio Nacional Raul Lino em Sintra.

Actividade exemplar do Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas e da Parques de Sintra, que acrescentou uma recente vertente de animação musical, Tempestade e Galanterie, no Palácio de Queluz, de nível excepcional, e Serões Musicais no Palácio da Pena.

Quanto ao ano de 2015, referências muito rápidas à instalação urgente da Colecção Bartolomeu Cid dos Santos, do maior gabarito mundial; ao apoio ao Jornal de Sintra, na sua condição de instituição local; ao Festival de Música de Sintra, em jubilar 50ª edição que, além da boa programação, carece de estratégia de comunicação eficaz; à instalação de placas de informação sucinta para identificação das peças do património de Sintra; ao importante debate, eminentemente cultural, sobre a opção do funicular vs. teleférico; à reabilitação do Hotel Netto e da Heliodoro Salgado; à necessidade de intervenção firme e assertiva da CMS no sentido de evitar, ab ovo, ofensas ao espírito dos lugares.

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 Revisitar a Cultura em Sintra em 2014 exige desde logo que recordemos o facto de Sintra ter ficado mais pobre culturalmente com o encerramento do Museu do Brinquedo, pelo muito que este equipamento podia potenciar, sendo públicas as posições que tomámos neste âmbito e na defesa intransigente da sua manutenção.

É nosso entendimento que a cultura deve estar ao serviço da promoção do Concelho e daquele que é o seu mais importante capital: o património humano, com as suas diferenças e sensibilidades, com as suas apetências e expectativas, convictos que estamos da sua importância como veículo de educação e de transformação social.

Ora aquilo por que pugnamos é por uma estratégia concertada com os parceiros locais, desde a Parques de Sintra Monte da Lua – não podendo deixar de salientar o seu extraordinário contributo na dignificação e promoção do nosso património, com um reconhecimento internacional que a todos deve orgulhar – , às múltiplas e dinâmicas associações culturais presentes em Sintra que promovem actividade nas diferentes áreas artísticas, presenteando-nos com produções de elevado padrão de qualidade.

É pois também nesse sentido que entendemos que, resistindo a assumir-se como produtora cultural por excelência, a primordial vocação da Câmara Municipal de Sintra deve ser a de parceira, facilitadora, congregadora e mediadora, ajudando a posicionar Sintra no palco nacional, dinamizando as comunidades locais e contribuindo para que aquilo que se faz dê corpo a um calendário que faça da cultura um bem acessível ao maior número de cidadãos.

E nesta matéria, aquilo que diagnosticamos é que continua a faltar um investimento claro na formação de públicos, com as áreas da infância e juventude a revelarem-se prioritárias para o fomento do gosto pelas artes, incubando práticas para a sua fruição regular.

E nesse domínio não precisa de se inventar o que inventado está!

Se na área do teatro há um caminho já trilhado, merecendo destaque a Mostra de Teatro das Escolas, promovida pela CMS, com dividendos óbvios que vêm sendo amealhados, a da música e a das artes plásticas mantêm-se mais arredadas dos desígnios e da política de apoio municipal, importando dar-lhes um novo fôlego para que o consumo cultural do tanto que em Sintra já se faz seja uma realidade mais entusiasticamente vivenciada.

Também nos surge como fundamental que haja por parte da autarquia uma aposta naquilo que se entende por animação turística, potenciando alguns dos expoentes da programação cultural de Sintra e entendendo-os como claro produto turístico que podem e devem ser, investindo na divulgação dentro e fora de portas e para tal envolvendo os operadores turísticos.

Mas porque em todas estas matérias, os diferentes contributos assumem uma valia inequívoca e porque entendemos que “Ouvir para melhor decidir” é, para além dum estimável instrumento de gestão, um claro exercício de democracia e um sinónimo de humildade, de abertura e de valorização dos parceiros na construção de algo que a todos diz respeito, a criação dum Conselho Municipal para a Cultura assume-se, a nosso ver, como uma prioridade.

Terminamos com um reconhecido bem-haja a todos quantos, nas diferentes áreas, fazem da cultura o seu modo e sentido de vida, contribuindo para nos dar a conhecer as diferentes facetas da beleza, qualquer que seja a forma como ela se dê a revelar.

Aos 9 de Janeiro de 2015

Movimento Independente Autárquico

 

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